Foto: Walter Alves/O Estado

Senador Osmar Dias não vai burlar regra da verticalização.

O senador Osmar Dias afirmou ontem que não se considera um empecilho ao processo de definição de candidatos pelo bloco de partidos que estão conversando com o PDT sobre uma possível aliança à sucessão estadual. Osmar disse que, mesmo convalescendo da cirurgia a que se submeteu em São Paulo, há alguns dias, vem tendo contatos diários com lideranças e dirigentes do PSDB, PFL e PP e que todos sabem que ele depende do resultado da convenção do seu partido no próximo dia 19 para tomar uma decisão sobre a candidatura. Mas isso, na sua opinião, não representa obstáculo a que as essas siglas apresentem outras candidaturas ao governo.

Osmar não aceita ser responsabilizado pela indefinição das forças de oposição ao governo no quadro sucessório estadual. O senador afirmou que não é correto dizer que há um compromisso firmado entre o PSDB e o PDT há dois anos, quando decidiu apoiar a candidatura do prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB). Ele disse que, ao se decidir pela candidatura tucana na eleição municipal, não exigiu reciprocidade para o governo e nem mesmo cargos na administração municipal. "Apoiamos porque entendemos que era o melhor candidato. Não fiz nenhuma exigência", afirmou.

Osmar revelou que deixou claro ao presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati, que não tem condições de se definir neste momento. E que Jereissati afirmou, há alguns dias que, neste caso, o PSDB iria apresentar outra candidatura ainda naquela semana. Até agora, o PSDB não lançou o candidato. Para o senador pedetista, não é ele que está emperrando essa decisão. Osmar afirmou que os tucanos são livres para definir seus rumos e que respeita a decisão dos outros partidos. "O PSDB é autônomo e não depende de outros partidos para ter candidato", declarou.

O senador também discorda daquelas lideranças que avaliam ser possível fazer um acordo informal de apoio à sua candidatura com o PSDB e os outros partidos. Osmar disse que se o PDT mantiver a candidatura do senador Cristóvam Buarque à presidência da República, não poderá burlar a legislação apoiando um outro candidato à presidência, no caso o ex-governador tucano Geraldo Alckmin. A regra da verticalização das coligações, que obriga os partidos que têm candidatos a presidente da República a reproduzir as alianças nacionais nos estados, continua sendo um obstáculo à formalização do acordo com o PSDB, destacou.

Preferencial

Nos últimos dias, Osmar tem conversado com representantes de vários partidos. Na lista, além de Jereissati, estão o presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen, o candidato a vice-presidente na chapa tucana, senador José Jorge, o ex-deputado Euclides Scalco, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, os senadores pedetistas Cristovam Buarque e Jeferson Peres. Os pefelistas, segundo o senador, reafirmaram que continuam firmes no apoio à sua candidatura. Bornhausen e José Jorge disseram ao senador que ele é o candidato preferencial do partido.

O pedetista também tem mantido contato permanente com as lideranças estaduais dos partidos. Entre eles, o presidente estadual do PSDB, Valdir Rossoni, o presidente estadual do PFL, Abelardo Lupion, o presidente estadual do PSB, Severino Araújo, os deputados Eduardo Sciarra (PFL), Odílio Balbinoti (PSDB), o ex-governador Jaime Lerner (PSB), o presidente estadual do PP, deputado federal Dilceu Sperafico e o deputado federal Gustavo Fruet.

Reunião

Amanhã, dia 5, dirigentes do PSDB, PP, PFL, PSB e o PDT se reúnem em Curitiba para conversar sobre a sucessão estadual. O presidente estadual do PSDB, Valdir Rossoni, disse que a intenção é fechar um acordo para a disputa à Câmara dos Deputados e Assembléia Legislativa e também de conversar sobre candidaturas a vice-governador e ao Senado.