Ao fim de uma semana de negociações, que começaram em Brasília e continuaram em Curitiba, o PMDB, o PT e PDT não conseguiram chegar a um acordo para compartilhar o mesmo palanque na disputa ao governo do Estado e à presidência da República. O governador Orlando Pessuti (PMDB) deve ser candidato à reeleição e o senador Osmar Dias (PDT) deve concorrer ao Senado, em chapa avulsa. Nesse caso, o PT terá que decidir hoje, na convenção, se apoia Pessuti ou se lança um candidato próprio ao governo. A posição foi definida depois de várias rodadas de negociações que se prolongaram até as 19 horas de ontem. O veredito foi dado durante uma conversa entre Osmar e Pessuti na casa do senador pedetista. Num contato telefônico pelo sistema viva-voz, o senador Alvaro Dias (PSDB) garantiu que será o candidato a vice-presidente na chapa do ex-governador José Serra (PSDB). Essa informação selou o destino do senador Osmar Dias. Ele havia avisado que não poderia disputar a eleição numa coligação que terá como candidata a principal adversária de Serra, a ex-ministra Dilma Rousseff (PT). Para Osmar, irmãos não podem ser adversários políticos.

Até chegar ao desenho da candidatura própria do PMDB ao governo, foram várias reuniões extenuantes. A conversa entre Pessuti e Osmar começou por volta do meio-dia, com a participação dos presidentes estaduais do PDT, Augustinho Zucchi, e do PMDB, Waldyr Pugliesi. Osmar entrou na sala do governador como candidato ao governo. Duas horas depois, a reunião foi suspensa e já não havia mais a certeza da candidatura. Novamente, o fator Alvaro Dias havia entrado em cena. Por volta das dezoito horas, Pessuti convocou uma entrevista coletiva para anunciar a candidatura. Quinze minutos depois, a entrevista, que nem começou, foi suspensa para que o peemedebista se reunisse mais uma vez com Osmar para saber se ainda havia uma chance de composição. Foi então que veio o telefonema de Alvaro, garantindo que estará no palanque de Serra na condição de candidato a vice-presidente.

PMDB e PT marcaram para este domingo suas convenções estaduais, para aprovar a chapa de candidatos à Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados e a composição para o governo e Senado. O PMDB se reúne no Centro de Convenções do Shopping Estação para homologar a candidatura de Pessuti e do ex-governador Roberto Requião ao Senado. Já o PT se reúne na sociedade Urca para homologar a candidatura de Gleisi Hoffmann ao Senado e discutir as vantagens e prejuízos de se juntar ao PMDB. Se o saldo for negativo, o ex-prefeito de Londrina Nedson Micheleti poderá ser lançado ao governo. Tanto no PMDB como no PT, as convenções não serão conclusivas e vão delegar às executivas estaduais a prerrogativa de concluir a formação das chapas e decidir sobre as alianças.