Com um mês de mandato recém-completo, o governador do Paraná, Orlando Pessuti (PMDB) visitou, ontem, a redação dos jornais O Estado do Paraná e Tribuna do Paraná.

Ainda comemorando o sucesso do fim da multa que a União cobrada do Estado por conta dos títulos devidos ao Banco Itaú, Pessuti disse que passará a negociar diretamente com o banco, agora, a questão da validade dos títulos e já elegeu a próxima prioridade: a tarifa do pedágio. O governador também falou para O Estado sobre as mudanças que fez em seu secretariado e comentou os preparativos para as eleições de outubro.

Fim da multa

“A questão estava parada no Congresso e não andava, então, escolhemos o caminho da conversação. Nós fomos em busca do ministro Paulo Bernardo, do ministro Mantega, da ministra Dilma. Conversarmos diversas vezes com o senador Osmar Dias, que teve um papel fundamental nesse processo. Os nossos outros dois senadores também nos ajudaram, assim como nossos deputados federais. Tivemos uma conversa franca com o senador ACM, mostramos pra ele que o Paraná não podia mais continuar sendo injustamente punido. Tivemos ajuda também do deputado Lupion, que como líder do DEM, articulou junto ao senador pelo parecer favorável. Mas o papel preponderante foi exercido pelo senador Osmar Dias e pelo governador Requião, que, se não conseguiu resolver o problema, deixou a semente plantada”.

Compensação

“Nós estamos aguardando que se faça todo um recálculo dessa dívida. Os secretários Heron Arzua e Nestor Bueno me disseram que esse cálculo terá que ser feito dia a dia, desde novembro de 1994. Precisamos ter conhecimento do montante de recursos que nós temos lá em Brasília, bloqueados e que, em valores corrigidos, poderemos utilizar para amortizar prestações futuras que temos como compromisso de pagar ao tesouro nacional. A prestação que temos que pagar mensalmente é em torno de R$ 65 milhões. Então, em quatro ou cinco meses, ficaremos livres desta prestação e poderemos utilizar esses recursos para investir em educação e em várias outras obras, como quadras cobertas, bibliotecas, escolas e asfalto para ruas e avenidas dos municípios”.

Banco Itaú

“Nós estamos pedindo ao secretário da Fazenda e à Procuradoria-Geral um estudo mostrando o que realmente é dívida nossa. Sempre é bom ressaltar que essa dívida é por conta de um negócio, na nossa opinião, malfeito, que caracterizamos como um crime contra os interesses do estado do Paraná, que foi a privatização do Banco do Estado. Vamos fazer um levantamento completo do perfil desta dívida, para que possamos sentar com o Banco Itaú e verificar se é possível um acordo administrativo ou se vamos ter que continuar combatendo no âmbito do Poder Judiciário. Mas, se tiver possibilidade de nós nos entendermos, melhor, para nos livrarmos do risco de perder a Copel que é nossa principal empresa do Estado. Na ida a Brasília, na semana passada, nós encontramos o pessoal do Itaú que estava fazendo um trabalho para que a resolução não fosse votada. Acredito que queriam usar a multa como um instrumento de pressão para que nós aceitássemos negociar. Disse a eles que, naquele momento estávamos tratando de resolver o problema da multa, e que, restabelecida nossa ficha limpa junto ao governo federal, nós poderíamos sentar com eles e conversarmos para encontrarmos, quem sabe, um caminho para solucionarmos mais essa pendência”.

Pedágio

“Com toda a franqueza, eu digo que hoje não sei qual é a melhor alternativa. Vamos debater o tema, depois que a secretaria dos Transportes e o DER fizerem um relatório completo do pedágio desde o dia em que começou no Paraná até agora. E depois que a PGE nos repassar todas as informações jurídicas do que aconteceu desde a implantação até agora. Não haverá conversa se não existir por parte das empresas a intenção de reduzir a tarifa. É uma luta de praticamente oito anos ,e que nós sempre percebemos a tentativa do governador de baixar o pedágio. Não conseguiu baixar. Cabe a nós fazermos mais uma tentativa”.

Secretários

“Entendo que é natural uma divergência do Requião quanto a algumas pessoas que escolhi, assim como eu tinha divergências quanto a alguns nomes que ele indicou em 2003 e em 2007. Agora, há que se dizer que dentre todas as pessoas que nós nomeamos, apenas três ou quatro não faziam parte do governo Requião. Tivemos o cuidado de chamar pessoas que tinham identidade com esse projeto. Não tem ninguém estranho, fora do contexto. Claro que a divergência deve ser mais pelas pessoas que retirei, porque não tem razão nenhuma para ele questionar os nomes escolhidos. Espero completar todas essas mudanças nos próximos dias, com alguns cargos ainda vagos”.

Eduardo Requião

“Já conversei com ele, disse que tinha interesse que ele continuasse na equipe. Ele me disse que mantinha o pedido de exoneração a partir de 1º de abril. Eu insisti com ele para que ele continuasse e ele ficou de me dar uma resposta. Acredito que ainda nesta semana saberei se ele mantém ou não o pedido de exoneração”.

Sucessão estadual

“Vejo que dentro do PMDB a questão é tranquila, porque há um ano o PMDB já tomou a decisão pela candidatura própria e pelo meu nome como candidato. O fato de termos assumido o governo do Estado e estarmos governando o Paraná tem permitido mostrarmos que temos as condições necessárias para governar o Paraná. Quanto às coligações, como estamos ainda a praticamente dois meses da definição, seguimos conversando”.

PMDB

“Tenho certeza que todos eles estarão comigo. A totalidade dos deputados estaduais do PMDB me apoiará, assim como todos os nossos deputados federais, os quase 200 prefeitos, os mais de mil vereadores. A cada dia mais se consolida esse apoio”.

Requião

“Quero ter o apoio do Requião, que é fundamental para minha candidatura, assim como é fundamental para a candidatura dele ter o nosso apoio. De minha parte, tenho deixado isso claro ao governador Requião e tenho ouvido isso dele também. Então, não tenho dúvida de que caminharemos juntos em mais esta jornada, como fazemos há 27 anos”.

Anderson Tozato
Vera Pimentel, ex-governador Paulo Pimentel e Orlando Pessuti: governador na redação de O Estado e Tribuna.