O economista Sérgio Leão, coordenador da equipe de transição do governador eleito do Pará, Simão Jatene (PSDB), classificou a proposta de Orçamento para 2010 no Estado como “frágil” e capaz de criar “limitação financeira” ao próximo governo. “Há setores que têm zero de investimento ou estão com valores baixíssimos para suas reais necessidades”, avaliou Leão.

continua após a publicidade

Na opinião do coordenador, as limitações de recursos exigirão ajustes na máquina governamental para o funcionamento do Estado, evitando prejuízos à população. A receita total líquida para 2011 é de R$ 12,4 bilhões, já deduzida a contribuição do Estado ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), no valor de R$ 1,5 bilhão.

As despesas totais somam R$ 10,4 bilhões. Os gastos com pessoal estão previstos em R$ 6 bilhões, enquanto as outras despesas alcançam R$ 4,4 bilhões. Nestes valores estão considerados os gastos de todos os poderes constituídos, do Ministério Público, da Defensoria Pública e dos demais órgãos constitucionais independentes. O problema do Orçamento, segundo avaliou Leão, está nos investimentos. E isso causa apreensão aos técnicos tucanos.

Transição pacífica

continua após a publicidade

A governadora Ana Júlia Carepa (PT) disse que Jatene receberia um Estado “mil vezes melhor” do que aquele que ela tinha recebido dele, no final de 2006. Os tucanos argumentam que a declaração de Carepa teria sido no mínimo um “exagero” diante dos números apresentados na proposta de Orçamento.

Como a conversa entre os dois lados está apenas no começo e foi criada a expectativa de que a transição será “pacífica”, Leão entregou nesta semana ao coordenador de transição do atual governo, Edílson Rodrigues, um ofício pedindo informações sobre o funcionamento do Estado.

continua após a publicidade

No documento há perguntas sobre receita e dívida pública, operações de crédito, gastos com pessoal, previdência social, pendências decorrentes de convênios e contratos, além de política de fomento ao setor produtivo. O número de servidores estáveis, temporários e admitidos por intermédio de concurso também estão na pauta de questionamentos. Os próximos passos da transição vão depender das respostas da equipe da governadora ao pessoal de Jatene.