O senador eleito por São Paulo, José Serra (PSDB), disse na noite de ontem, em apresentação informal a uma plateia de apoiadores, que a oposição precisa se firmar se quiser ter chances de vencer o PT em 2018. Ele admitiu que o PSDB falhou no papel de opositor do PT nos últimos 12 anos e avaliou que é preciso manter a postura firme desse período pós-eleição, inclusive com críticas à proposta de política econômica com a entrada de Joaquim Levy no Ministério da Fazenda. “Para começo de conversa, talvez agora a gente faça oposição. Mas isso vai ter que se sustentar, inclusive na política econômica. Porque com o Joaquim Levy já tem muita gente dizendo: ‘Porque agora vão fazer o que a gente ia fazer e tal…’ Não é. Isso eu posso te garantir”, disse ao ser questionado pela plateia sobre o futuro da oposição.

Serra argumentou que Levy adotará receituário semelhante ao adotado por Henrique Meirelles durante o governo Luiz Inácio Lula da Silva. O senador disse que a gestão Meirelles no Banco Central foi e é muito elogiada pela oposição, inclusive pelo PSDB, de forma equivocada. “Está cheio de gente na economia elogiando a política do Meirelles, uma política desastrosa. O maior erro de política econômica isolado na história moderna brasileira foi feito naquele período”, disse Serra.

“A estratégia Meirelles, que supostamente é o que passaria a ser aplicado agora, é uma estratégia que não funciona, que é chutar juros para cima. Isso permite a entrada de dinheiro e vai empurrando com a barriga, para financiar o déficit em conta corrente”, afirmou na apresentação. “Essa estratégia não tem impacto, ela não vai ser aplicada no Brasil. Se for, vai ser um estouro, essa é que é a verdade”, completou.

Questionado pelo Broadcast Político, serviço da Agência Estado de notícias em tempo real, na saída do evento, se o receituário de Levy seria diferente da estratégia de Armínio Fraga caso Aécio Neves (PSDB) tivesse vencido a eleição presidencial, o senador disse que precisaria de mais tempo para expor à reportagem seu pensamento econômico e que havia falado em um tom de informalidade com a plateia. Ele pontuou, contudo, que a diferença seria essencialmente do lado fiscal. “Não acho que uma estratégia econômica se esgote em subir juro para atrair dinheiro de fora. A questão fiscal é muito complexa no Brasil e o fato é que o próprio suporte político desse governo é totalmente contraditório com qualquer espécie de política fiscal sadia.”

Ao tomar posse como senador, na próxima legislatura, que se inicia em fevereiro, Serra disse que se dedicará a reforçar o papel de oposição firme ao governo petista. Perguntado por uma pessoa da plateia como faria isso, mencionou discursos e propostas. Argumentou que o tempo era curto para falar dos mais de 20 projetos que já tem em elaboração, mas destacou a ideia de encontrar uma forma de tirar o Senado do processo de indicação para cargos em agências reguladoras, no intuito de diminuir o aparelhamento delas.

Serra afirmou também que irá apoiar o modelo de voto distrital e que votará contra mudanças no estatuto do desarmamento que possam facilitar o porte de armas. O senador falou que pretende estudar ainda uma forma de limitar o endividamento do governo federal, para avançar em relação à Lei de Responsabilidade Fiscal. Ele não fez críticas ou menções diretas à tentativa atual do governo de alterar a Lei de Diretrizes Orçamentárias para mudar a maneira como o superávit é calculado e, na prática, economizar menos do que o exigido pela lei atual.