Foto: Fábio Alexandre

Luiz Nishimori: tucano foi almoçar com o governador.

O crescimento da bancada de oposição, que está incorporando os deputados ditos independentes, e o corpo mole da base aliada, que falta às sessões, está complicando a vida do líder do governo na Assembléia Legislativa, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB). Ontem, mais uma vez, para não perder a votação na Comissão de Constituição e Justiça, o governo teve que recorrer a um artifício regimental para retirar de pauta o projeto que modifica os critérios de indicação dos diretores da ParanaPrevidência.

O projeto, apresentado por Romanelli, receberá um novo relator e começa a tramitar de novo na CCJ. Foi a solução depois da rejeição ao parecer contrário do líder da oposição, Valdir Rossoni (PSDB), e da retirada do voto em separado do deputado Nereu Moura (PMDB), favorável à matéria, mas para o qual o governo não conseguiu apoios suficientes para aprovar na CCJ.

Romanelli concordou em realizar uma audiência pública na CCJ com a participação de servidores associados ao ParanaPrevidência, antes de o projeto entrar em votação.

Caprichos

O líder do governo levou ontem os líderes do PSDB, Luiz Nishimori, e o vice-líder do PT, professor Luizão, para um almoço com o governador Roberto Requião (PMDB) e secretários na granja do Cangüiri. O PTB, que era um partido aliado ao governo até há alguns dias, não participou da conversa. E foi o deputado Jocelito Canto (PTB) a causa apontada pelos governistas para o adiamento das votações na CCJ. Canto substituiu o titular da vaga na CCJ, Carlos Simões, e avisou que votaria contra o governo.

Na origem da insatisfação de alguns aliados estaria a dificuldade em obter recursos e obras para suas bases eleitorais. E ainda a resistência do governo em nomear indicados pelos deputados para seus núcleos regionais das áreas de educação, saúde e agricultura.

Romanelli disse que o quadro adverso para o governo não se muda de uma hora para outra. ?A base não vem e a oposição é articulada?, afirmou. Para o líder, o governo não pode alterar algumas posturas, como a de manter quadros profissionais nos núcleos, para atender aos aliados. ?O governo não pode ceder a caprichos políticos para substituir servidores?, comentou.

Outro que também não prevê dias fáceis para o Palácio Iguaçu é o deputado Nereu Moura. ?O governo deve estar preparado. Se não está, que se prepare. Porque com o passar do tempo, a discussão vai ficando mais acirrada. Nós vamos ter batalhas que não tivemos no primeiro mandato?, afirmou Moura. Ele acha que as dificuldades do governo fazem parte do processo de acomodação do plenário. ?É no andar da carroça que as abóboras se assentam?, disse.