O engenheiro Shinko Nakandakari, o primeiro dos 11 supostos operadores de propina na Diretoria de Serviços da Petrobras a fazer acordo de delação premiada, afirmou aos investigadores da Operação Lava Jato que entregou “dinheiro em espécie pessoalmente” a Renato Duque, ex-diretor da área entre 2004 e 2012.

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Shinko disse que encontrou-se “algumas vezes” com Duque em hotéis em Copacabana e Ipanema, no Rio. Segundo ele, os valores foram repassados no período entre o final de 2009 e começo de 2010 e continuaram até 2014 – quando Duque já não ocupava mais a Diretoria de Serviços.

O delator afirmou que a maior parte do dinheiro foi entregue para Pedro Barusco, então gerente de Engenharia da estatal petrolífera e braço direito de Duque – este foi levado ao cargo na cota do PT pelo ex-ministro José Dirceu, que nega a indicação.

Shinko Nakandakari disse aos investigadores da Lava Jato que entregou cerca de R$ 5 milhões de propina para Duque e para Barusco. O dinheiro foi destinado ao esquema de corrupção na Diretoria de Serviços, sendo a maior parte recebida por Barusco, também pessoalmente.

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Um dos alvos da nova fase da Lava Jato, batizada de Operação My Way, Shinko afirmou que teve com Duque “alguns encontros”. Com Barusco, a entrega de dinheiro vivo era mais frequente. Ele afirmou que o ex-gerente de Engenharia – que também confirma as propinas – lhe dizia que o dinheiro era repassado a Duque.

O delator afirmou que os pagamentos de propina na diretoria controlada pelo PT era sempre em parcelas, sendo que em alguns casos, foi paga em até seis vezes.

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Em sua delação, em novembro de 2014, Barusco afirmou que recebeu valores em nome de Duque, inclusive em dinheiro vivo entregue a Duque dentro da diretoria de Serviços.

Barusco declarou que um dos operadores do suborno pago a Duque era Shinko, que “entregava pessoalmente o dinheiro em euros, reais ou dólares, sempre na quantia correspondente a aproximadamente R$ 100 mil”. Ele disse que guardava o dinheiro em uma caixa em sua casa, “que era usado para pagamento de despesas pessoais e para fazer repasses a Renato Duque”.

Shinko está incomodado com o papel que a força tarefa lhe atribui, de operador de propinas na Diretoria de Serviços. Ele disse que sempre foi um profissional da engenharia e que fez consultorias para a Galvão Engenharia, uma das 16 empresas do cartel alvo da Lava Jato, e também para a EIT.

Ele contou que “certo dia” a direção da empreiteira o chamou e pediu-lhe que “ajudasse” a empresa e levasse dinheiro para Barusco e Duque. Shinko disse que também fez “consultorias” para a empresa EIT e para a Contreras, esta da Argentina.

A Queiroz Galvão disse que os pagamentos feitos resultaram de prática de extorsão e concussão, conforme relatado às autoridades competentes. E acrescentou que o “sr. Shinko Nakandakari nunca foi funcionário da empresa”.