O PT está sofrendo o impacto financeiro decorrente da Operação Lava Jato. Com a torneira das doações fechada desde a prisão de altos executivos de empreiteiras que financiavam o partido, dirigentes estaduais e nacionais fazem um jogo de empurra em relação à dívida de mais de R$ 25 milhões da campanha de Alexandre Padilha ao governo de São Paulo.

O presidente estadual do PT de São Paulo, Emidio Souza, admitiu nesta sexta-feira, 12, que as investigações movidas pela Polícia Federal e Ministério Público federal atrapalham o encaminhamento de uma solução para o pagamento da dívida. “Na solução da dívida acredito que (atrapalha) sim”, disse o dirigente, durante reunião da chapa majoritária do partido, Partido que Muda o Brasil (PMB).

Emidio tenta dividir com a direção nacional do PT a dívida alegando que o esforço da campanha em São Paulo também tinha como objetivo alavancar o desempenho da presidente Dilma Rousseff no maior colégio eleitoral do Brasil. “A dívida de São Paulo nunca se pagou sozinha. Somos um partido só. Aqui também foi feito um esforço nacional”, disse ele.

O pedido, no entanto, esbarra no tesoureiro nacional do partido, João Vaccari Neto, responsável pela arrecadação do PT, que é alvo das investigações da Lava Jato e alega não ter responsabilidade sobre a dívida. Segundo Vaccari, a direção estadual do PT de São Paulo foi avisada ainda no primeiro semestre que a situação financeira do partido era difícil.

Ele tem dito que se houver algum socorro nacional ao PT-SP ele virá do comitê financeiro da campanha de Dilma à reeleição, comandado por Edinho Silva.

Emidio discorda da argumentação de Vaccari e insiste no pedido de ajuda à direção nacional. “Quem trata oficialmente (da dívida) é o tesoureiro do partido. O Edinho cuidou da campanha da Dilma”, disse Emidio que admitiu ser grande a chance de o prazo para pagamento das despesas se alongar. “Este é um aspecto que nos preocupa mas a solução não virá em um curto espaço de tempo”, completou.