A nomeação do executivo Flávio Braile Turquino para o cargo de diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa), da Secretaria de Defesa Agropecuária, do Ministério da Agricultura, publicada na edição desta sexta-feira, 23, do Diário Oficial da União, acirrou ainda mais os ânimos dos fiscais agropecuários federais contra o ministro Antônio Andrade (PMDB/MG). A categoria iniciou uma operação padrão na semana passada contra a nomeação do advogado Rodrigo Figueiredo para o cargo de secretário de Defesa Agropecuária e agora prepara uma greve nacional.

O presidente do Sindicato Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical), Wilson Roberto de Sá, disse que a categoria está perplexa com as decisões tomadas pelo governo e argumenta que a nova nomeação “confirma as suspeitas de que a Defesa Agropecuária será utilizada para arrecadar fundos para as campanhas eleitorais do próximo ano”. Ele explica que, pela primeira vez, os cargos principais da Defesa Agropecuária foram entregues à iniciativa privada. O novo diretor Flávio Turquino era gerente de exportação da Agrícola Jandelle S.A. (Big Frango) e tem passagem por outras empresas como a Cargill.

Denúncia

Wilson Sá informou ao Broadcast que na semana passada durante solenidade no Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro) em Pedro Leopoldo (MG), quando o governo anunciou que investiria R$ 120 milhões na modernização do laboratório, houve uma demonstração da intenção do PMDB de usar a Defesa Agropecuária com fins eleitorais. Segundo ele, o deputado Newton Cardoso (PMDB/MG) disse ao coordenador do Lanagro, Ricardo Aurélio Pinto Nascimento, que antes das compras submetesse ao partido a relação de fornecedores. “O nosso colega ficou numa situação desconfortável”, disse o presidente da Anffa Sindical. O Ministério da Agricultura não comentou a denúncia.

Vale lembra que a nomeação do advogado Rodrigo Figueiredo, por indicação do líder do PMDB na Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (RJ), encontrou resistência por parte da Frente Parlamentar da Agropecuária e da presidente da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu (PSD/TO), que manifestaram ao governo as preocupações com a indicação política para um cargo considerado técnico. Segundo eles, a secretaria tem grande importância para o desempenho da balança comercial do agronegócio brasileiro.