O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou nesta quarta-feira, 8, que, se o modelo de governo no Brasil fosse parlamentarista, o governo já tinha caído. De passagem pelo Senado, onde discutiu a crise hídrica e propostas do pacto federativo, o tucano ressalvou que no modelo presidencialista não é dessa forma e defendeu, mais uma vez, que se cumpra o previsto na Constituição brasileira.

“É nosso dever cada um fazer sua parte. Tem que investigar. No modelo parlamentarista, o governo já tinha mudado, já tinha caído. Porque é só confiança. Perdeu a confiança, substitui o primeiro-ministro. No modelo presidencialista não é assim. (Ele) tem mandato e só pode ser interrompido por crime de responsabilidade, quando previsto na Constituição”, afirmou.

Questionado mais uma vez sobre as “pedaladas fiscais” feitas pelo governo Dilma Rousseff, sob investigação do Tribunal de Contas da União (TCU), Alckmin frisou que não dispõe de detalhes para falar sobre a situação. Mas defendeu a investigação e o desenrolar dos fatos para poder analisar o caso de forma mais adequada.

Ajuste

Numa crítica indireta ao governo Dilma Rousseff, Alckmin afirmou que fazer um ajuste fiscal sem crescimento da economia “não funciona”. Para o tucano, um eventual novo aumento da taxa básica de juros, atualmente em 13,75%, só agrava ainda mais a situação fiscal. O mercado prevê que o governo fará uma nova alta da Selic para tentar debelar a pressão inflacionária – o IPCA divulgado hoje chegou a 8,89% nos últimos 12 meses.

“Ajuste fiscal sem crescimento da economia não funciona, porque você tem queda de arrecadação por retração da atividade econômica, o aumento da taxa Selic vai agravar mais ainda”, afirmou. “O governo precisa fazer a economia crescer, e a economia crescendo você segura as despesas e vai fazendo o ajuste. Se a economia não crescer minimamente, só tende a se agravar”, completou.

Questionado a expectativa de IPCA de quase 9% ao ano, Alckmin disse que muito da inflação atual é de “preço administrado, não é só de demanda”. “Demanda mais fraca do que está, é impossível”, avaliou.