O presidente da República em exercício, Michel Temer, disse que o esforço do governo em fazer o ajuste fiscal deve reverter a trajetória da inflação, mas reconheceu as dificuldades econômicas. “Ninguém ignora que há dificuldades transitórias em relação à economia”, disse. “Por isso que o governo está cuidando, com auxílio do Congresso Nacional, de fazer um ajuste fiscal e econômico. Exatamente tendo em vista essas circunstâncias”, afirmou.

Nesta quarta-feira, 8, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,79% em junho, ante 0,74% em maio. Trata-se da maior alta para o mês desde 1996, quando o índice subiu 1,19%. Com o resultado, a inflação oficial acumula alta de 6,17% no primeiro semestre deste ano, o maior índice neste confronto desde 2003 (6,64%). Já em 12 meses até junho, a variação de 8,89% é a mais elevada desde dezembro de 2003 (9,30%).

Para Temer, as medidas que estão sendo tomadas pelo governo reverterão a tendência de alta na inflação. “Não tenho a menor dúvida”, disse, reforçando que “seguramente” o cenário futuro de inflação vai melhorar. “O governo espera que, em breve tempo, não sei se este ano ainda, essa reversão se verifique”, disse.

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) também comentou o resultado do IPCA e disse que a inflação vai cair. “Não tenho a menor dúvida disso. Você não tem inflação de demanda, você tem inflação de preço administrado e os preços já foram corrigidos, então, consequentemente, a economia está em retração”, afirmou, após participar de sessão solene em homenagem póstuma ao ex-presidente da Câmara Paes de Andrade, ao lado do vice-presidente.

Segundo Cunha, quem tem o “mínimo” de conhecimento técnico sabe que a inflação vai cair. “Não é esse fator (inflação) que preocupa. O que preocupa é o conjunto da economia como um todo”, disse.