João de Noronha / GPP
João de Noronha / GPP

O jornalista Mussa José Assis recebeu
os comprimentos do empresário de Comunicações, Paulo Pimentel.

No plenário da Assembléia Legislativa tomado por autoridades, parlamentares, juristas, jornalistas, parentes e amigos, Mussa José Assis recebeu ontem o título de Cidadão Honorário do Paraná, concedido por iniciativa do deputado Carlos Simões (PTB). O vice-governador Orlando Pessuti (PMDB) representou o governador Roberto Requião (PMDB) no evento, e o prefeito Beto Richa (PSDB), embora representado pelo irmão, o secretário municipal de Administração José Richa Filho, fez questão de passar pelo plenário para levar seu abraço ao homenageado.

No discurso de agradecimento, Mussa lembrou que seu primeiro emprego, estudante com pouco mais de 15 anos, foi na Assembléia, pelas mãos do deputado Aníbal Curi, na época primeiro secretário da Casa. Destacando a competência do profissional que tem um lugar especial na história da imprensa paranaense, Simões apontou seu papel de conselheiro para mais de uma geração de jornalistas e de políticos: ?Nestes tempos de inexperiência e de falta de conhecimento em que vivemos, você tornou-se um conselheiro em momentos difíceis. E quantos conselhos você já deu e dá a todos os que comandam e constroem os destinos de nosso Estado??.

Após breve relato da trajetória familiar, desde a vinda de seus pais, libaneses, para o interior de São Paulo, Mussa ressaltou a rica experiência de fazer jornalismo no Brasil: ?Numa fase historicamente curta da vida de uma nação, passamos por períodos de liberdade, de meia liberdade, de ditadura, de quase democracia e até de democracia plena, como esta que estamos respirando nos dias de hoje, apesar de alguns entulhos do regime autoritário, como a Lei de Imprensa, que continuam vigindo, que esqueceram de empurrá-los para o lixo da história?.

O presidente da Assembléia Legislativa, deputado Hermas Brandão (PSDB) destacou a justiça da homenagem: ?Dentre todos os grandes jornalistas paranaenses Mussa é uma referência. Coerente, fiel a seus princípios, Mussa se confunde com a história da imprensa no Estado?. Para o deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB), Mussa está para a imprensa paranaense como o Paraná está para o Brasil: ?Sereno, tranqüilo e forte, soube conduzir com equilibrio e firmeza a informação, mesmo nos tempos sombrios em que isso representava um grande risco?.

O líder do prefeito na Câmara Municipal de Curitiba, Mario Celso Cunha (PSB) declarou que Mussa representa ?o que há de melhor na nossa imprensa. Ético, grande profissional e amigo?. O ex-governador Paulo Pimentel lembrou os longos anos em que vem contando com o talento do jornalista na condução de O Estado do Paraná: ?É uma parceria de muitas batalhas em defesa da integridade de nossas instituições, pela volta da democracia e pela construção de uma nova Constituição que devolveu o País aos trilhos após o sombrio período de arbítrio?.

O vice-governador Orlando Pessuti citou a convivência de trinta anos, a origem interiorana de ambos, que vieram a Curitiba para estudar e aqui acabaram fixando raízes, agradeceu o apoio recebido desde os tempos das reivindicações estudantis até as grandes lutas que mobilizaram o Paraná e o País: ?Este título é o reconhecimento da gente boa do Paraná que te acolheu e por quem você tanto fez?.

Um capítulo do jornalismo do Paraná

A vida do jornalista Mussa José Assis se mistura à história do jornal O Estado do Paraná. A carreira jornalística, no entanto, começou um pouco antes, em sua terra natal. Em Tupi Paulista, no extremo oeste de São Paulo, o então garoto de 14 anos começou a trabalhar do semanário O Imparcial, de Belomar Ramos. A experiência inicial com revisão e redação serviu de alicerce para a fundação do jornalzinho do Centro Estudantil do Colégio Estadual do Paraná. "Eu me mudei em 1958 para Curitiba, para fazer o científico, e com o colega Newton Finzeto, iniciamos o trabalho no jornal do colégio", relembra.

O conhecimento adquirido no periódico colegial rendeu uma vaga na revisão de O Estado do Paraná, onde pouco depois, com 18 anos completos, Mussa obteve o primeiro registro profissional, em 1961. Depois de um tempo, ele foi para o jornal Última Hora, ficando responsável pelas reportagens em Curitiba. No entanto, em 1963, foi convidado a trabalhar em São Paulo como secretário de redação, com apenas 21 anos.

Lá permaneceu até 1965, quando a convite do diretor-presidente do Grupo Paulo Pimentel, Paulo Pimentel, retornou para o jornal O Estado do Paraná, assumindo o cargo de diretor. "Depois do retorno, só fiquei de fora entre 1984 e 1987, quando participei da reabertura do Correio de Notícias, e em 1990, quando fui secretário de Comunicação do governo de Alvaro Dias".

Durante o período dedicado ao jornalismo na Editora O Estado do Paraná, Mussa contribuiu com outros veículos. Durante 13 anos trabalhou na sucursal de Curitiba de O Estado de S. Paulo e também contribuiu com o jornalismo da agência de notícias Associated Press. "Entre 1966 e 1978 tive a oportunidade de ajudar na formação de alunos da PUC (Pontifícia Universidade Católica do Paraná)", conta.

A dedicação e o prestígio obtidos por Mussa ao longo da carreira renderam a ele duas participações na mesa julgadora do Prêmio Esso, a maior premiação de jornalismo do País. (Gisele Rech)