Apesar do grande aparato montado para a oitiva do doleiro Antônio Oliveira Claramunt, o Toninho da Barcelona, ontem, em Curitiba, pela força-tarefa do Ministério Público que investiga operações através das contas CC-5, pouco foi revelado a respeito de seu depoimento. Segundo o procurador da República Wladimir Aras, que, ao lado dos procuradores regionais Carlos Fernando dos Santos Lima, Carlos Augusto Cazzarré, Januário Paludo e do procurador da República Deltan Dallagnol, colheram as informações do doleiro paulista, ele não acrescentou qualquer fato novo ao que já havia declarado à CPMI dos Correios ou na delegacia da Polícia Federal de São Paulo, não justificando, por enquanto, qualquer acordo de delação premiada.

O procurador reafirmou que para isso é necessária a apresentação de provas contundentes, documentais, o que não aconteceu. Ele insistiu que a força-tarefa atuou dentro de sua linha de investigação, colhendo informações sobre o Trade Link, offshore ligada ao Banco Rural e apontada nas operações do Banestado em Nova York. Em determinado momento, essa conta cruza com a Dusseldorf utilizada pelo publicitário Duda Mendonça. Aras considerou "dificil confiar na palavra de um preso, condenado, se não houver documentos comprobatórios. É preciso ir com muita cautela". Também negou que exista uma proposta de delação premiada: "Ela só existe se formalizada por escrito e com uma proposta específica". Sobre referências a ministros e políticos neste depoimento de Barcelona, disse que não cabe ao Ministério Público se pronunciar: "Os nomes são enviados a Brasília, à procuradoria Geral da República, porque têm foro privilegiado".

O advogado de Barcelona, Ricardo Sayeg, também negou a proposta de delação premiada, afirmando que "não se faz barganha com a Justiça". Segundo ele, seu cliente, que está condenado a 25 anos de prisão por crimes financeiros em sentenças proferidas em Cascavel, Curitiba e São Paulo, colaborou com o MPF, reafirmando todas as declarações feitas à PF paulista e à CPMI dos Correios.

Toninho da Barcelona desembarcou no aeroporto Afonso Pena por volta das 12h30, sob forte escolta da Polícia Federal, e foi conduzido primeiramente, até a sede da Superintendência do órgão e depois à Procuradoria da República, na rua Marechal Deodoro, 933. Seu depoimento começou por volta das 14h30, e terminou após às 18h, quando foi de novo conduzido à Superintência da PF, sempre sob forte proteção e num carro com os vidros vedados para impedir a visão de seu interior.