Uma investigação do Ministério Público e da Polícia Civil do Distrito Federal indica participação do senador Gim Argello (PTB-DF) num esquema fraudulento de concessão de bolsas de estudo. Reportagem da revista Época diz que funcionários da Fundação de Amparo à Pesquisa (FAP), órgão vinculado ao governo de Brasília e controlado pelo partido do parlamentar até o ano passado, favoreciam em processos de seleção candidatos indicados por petebistas, entre eles Argello.

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Os envolvidos foram flagrados em escutas telefônicas autorizadas pela Justiça. Num dos diálogos, de 26 de outubro do ano passado, Gustavo Tamm, ex-funcionário da FAP e filiado ao PTB, citaria Argello como um dos mandantes das fraudes. “Não dá para esconder aquele esquema ali…Onde é que houve uma coisa de diferente ali? Na seleção. Quem selecionou foi a Vera, a mando do Renato, do senador”, diz trecho da conversa, reproduzido por Época.

Conforme a revista, nas investigações, a polícia e o MP concluíram que o senador citado é Argello. Vera é uma funcionária da FAP e Renato, o ex-presidente do órgão, filiado ao PTB e ligado ao parlamentar.

Segundo as investigações, os funcionários da FAP orientavam os candidatos escolhidos pelo PTB a montar projetos para bolsas de pesquisa voltadas à Copa de 2014. Elas rendiam de R$ 2,5 mil a R$ 6 mil mensais. A nomeação se daria num processo de cartas marcadas. Numa planilha apreendida pela Polícia Civil, constariam nomes de beneficiados, ao lado das iniciais dos padrinhos. O deputado distrital Cristiano Araújo (PTB), aliado de Argello, seria um deles.

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Afastado do cargo em setembro de 2012, o ex-presidente da FAP procurou Argello e se reuniu com ele, segundo Época, para conseguir um emprego na administração federal. Entre as opções estariam cargos no BRB, banco do governo do DF, e na Petrobrás. “Isso aí é filé demais”, teria comentado Renato sobre a oportunidade na estatal.

Conforme a reportagem, a Polícia Civil indiciou dez pessoas por formação de quadrilha e fraude em licitação. A Justiça remeteu o caso ao Ministério Público, que avalia se apresenta denúncia contra os envolvidos. Se entenderem que há elementos suficientes contra Argello, os procuradores devem remeter o inquérito à Procuradoria-Geral da República (PGR), pois, como senador, ele tem foro privilegiado e só responde a processos criminais no Supremo Tribunal Federal (STF).

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A assessoria de Argello negou nesta sexta envolvimento dele no caso. Segundo o gabinete, o senador não tem conhecimento do esquema e nunca conversou com os envolvidos sobre a indicação de candidatos para bolsas. A reportagem não localizou o deputado Cristiano Araújo e Renato Rezende. À revista, eles negaram participação nas irregularidades.