O vice-presidente Hamilton Mourão recebeu nesta quinta-feira, 12, representantes de Cuba e da Argentina, governos alvos de críticas frequentes do presidente Jair Bolsonaro. As visitas a Mourão ocorreram com Bolsonaro longe do Palácio do Planalto. O presidente viajou hoje para Tocantins e Rio de Janeiro.

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Ao deixar a reunião no Planalto, o embaixador de Cuba, Rolando Antonio Gómez González, lamentou mudança de postura do Brasil sob o governo Bolsonaro. O País passou a apoiar, na ONU, o embargo econômico sobre Cuba promovido pelos Estados Unidos. “Lamentavelmente se somou a esse isolacionismo de Estados Unidos e Israel, que são os únicos países do mundo que aprovam essa política contra Cuba”, afirmou González.

Mourão disse que as visitas foram de “cortesia” e solicitadas pelos diplomatas. O vice-presidente negou que a agenda tenha sido encaixada propositalmente no dia que Bolsonaro estava distante. “Não tinha nada a ver. É o horário disponível. O presidente sabia”.

“Eu não concordo com a política de Cuba. Disse isso ao embaixador. Temos divergências, mas temos de construir convergência sempre”, afirmou Mourão.

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Antes da visita do representante de Cuba, Mourão havia recebido Daniel Scioli, indicado por Alberto Fernández para embaixador do Brasil e candidato derrotado por Mauricio Macri na disputa a presidente de 2015.

Mourão disse que Scioli está no Brasil para articular a sua indicação à Embaixada. “(Argentina) tem desafios e vão precisar do nosso apoio ao que for necessário”, disse.

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O vice-presidente esteve na posse de Fernández na terça-feira, 10, na Argentina. A ida de Mourão foi um recuo de Bolsonaro, que havia decidido não enviar representantes do primeiro escalão à cerimônia.

“Quando voltei (da posse) passei relatório a ele (Bolsonaro). Ressaltei que houve parágrafo no discurso em relação ao Brasil. Foi muito importante. Demonstrou interesse que a relação entre os dois países ocorra de forma natural”, declarou Mourão.

Mourão já recebeu opositores de Bolsonaro em outras ocasiões. Em outubro, quando o presidente viajava à Ásia, o vice se reuniu com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB). O governador disse à época que a audiência já estava marcada “há algum tempo” e passou pelo aval de Bolsonaro.

O vice-presidente, no entanto, negou nesta quinta-feira, 12, que receber opositores seja uma missão dada por Bolsonaro. “O presidente não me deu nenhuma tarefa nesse sentido”, disse.