Foto: Valquir Aureliano/O Estado

Paulo Bernardo: ministro era esperança para "puxar votos".

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, decidiu permanecer no cargo e não vai mais disputar uma vaga na Câmara Federal nas eleições de outubro. A decisão de Bernardo foi anunciada ontem pelo presidente estadual do PT, André Vargas, e confirmada pela assessoria do ministro, em Brasília. Bernardo disse que recebeu um pedido para ficar do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, há quinze dias. Anteontem, o ministro e o presidente voltaram a conversar e Bernardo deu a resposta final. Para o ministro, segundo sua assessoria, "um pedido do presidente é uma ordem".

Conforme a assessoria, a permanência de Bernardo não está relacionada à saída do ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci, pois o presidente já havia solicitado que o paranaense ficasse no cargo antes de a situação se agravar. Mas a avaliação é que, ao pedir para que Bernardo permaneça, Lula deixa um guardião da linha econômica de Palocci no governo.

O ministro do Planejamento, o da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, dão as cartas na economia do País. Bernardo sempre foi um defensor implacável da política econômica em vigor. No encontro, o presidente disse a Bernardo que ele teria boas chances de ser eleito, mas que gostaria de mantê-lo no quadro de ministros para dar seqüência ao trabalho que vinha desenvolvendo.

Vazio

A desistência de Bernardo em disputar a Câmara dos Deputados afetou o PT do Paraná, que apostava no nome do ministro para puxar votos para a chapa de candidatos a deputado federal. O presidente estadual do PT disse que a presença de Bernardo na chapa à Câmara Federal se enquadrava na diretriz do presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, de apresentar os melhores quadros do partido para a disputa proporcional. "Mas as necessidades do Brasil com as do partido nem sempre combinam", comentou Vargas, sobre o pedido de Lula a Bernardo.

A chapa do PT paranaense à Câmara Federal tem atualmente dezoito nomes. Seis deles são os atuais deputados federais: Dr.Rosinha, Dra. Clair, Irineu Colombo, Selma Schöns, Miguel Assis do Couto e Dilto Vitorassi. Da bancada estadual, apenas do deputado Ângelo Vanhoni apresentou seu nome para a Câmara. A chapa completa deve ser de trinta candidatos.

Ontem, Vargas negou que vá assumir o espaço deixado por Bernardo na chapa à Câmara dos Deputados. Vargas tem o projeto de ser o mais votado do PT para a Assembléia Legislativa, depois de vários anos no comando do partido no Estado. Vargas acha que a presidência estadual do PT exige sua presença no Paraná e que ficaria mais difícil exercer a função se fosse eleito para a Câmara dos Deputados.

Com a saída de Bernardo, o PT ficou sem um representante de Londrina na lista dos seus candidatos a deputado federal. Vagas tem a mesma base eleitoral de Bernardo, a região de Londrina. O presidente estadual do partido afirmou que, a partir de agora, o PT terá que estimular novas candidaturas na área. "A região ficou em aberto e nós vamos precisar despertar a vontade de outros companheiros em disputar a eleição", comentou.