Foto: Aliocha Maurício
Xavier é acusado de ignorar liminares concedidas a pessoas que precisam de medicamentos.

A Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde Pública de Ponta Grossa protocolou, ontem, três pedidos de prisão contra o secretário estadual de Saúde, Cláudio Xavier, pelo descumprimento de ordens judiciais. O Ministério Público sustenta que o secretário, como gestor da saúde no Estado, deixou de cumprir três liminares obtidas por pessoas que precisam de medicamentos excepcionais para tratamentos de saúde.  

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Essas três pessoas obtiveram na Justiça, através da promotoria, o direito de receber do Estado a medicação prescrita para seus casos, mas ainda não tiveram acesso aos remédios. Com o descumprimento das liminares, o promotor de justiça Fuad Faraj disse que entrou com os pedidos de prisão como uma medida drástica para que as decisões sejam cumpridas. ?Estas pessoas estão tendo o direito à vida e à saúde negado pelo Estado e a secretaria insiste em descumprir as decisões judiciais, não restou outra alternativa além dos pedidos de prisão?, disse.

Em abril deste ano, o governador Roberto Requião assinou decreto centralizando para seu gabinete a autorização para a compra de medicamentos, com o objetivo de saber exatamente quais e quantos são os remédios adquiridos por ordem judicial, além de seu custo, sob a alegação de que os gastos com esse tipo de aquisição vinham crescendo nos últimos anos e os critérios para suas compras não são claros, com prazos curtos, sem registro no Ministério da Saúde e sem a comprovação da real necessidade do paciente.

O promotor explicou que, apesar de o governador Roberto Requião ter centralizado as autorizações para compra de medicamentos, sua ação é contra o secretário de Saúde por considerá-lo o real responsável pelo não-cumprimento das decisões. ?O gestor de saúde pública do Estado é o secretário Cláudio Xavier. Se o governador está cometendo improbidade administrativa, o procurador-geral da Justiça (Milton Riquelme de Macedo) vai averiguar?, disse o promotor, que criticou o decreto do governador. ?É mais um obstáculo para as pessoas terem acesso aos medicamentos essenciais para sua sobrevivência. Nos leva a crer que a idéia é mesmo dificultar esse acesso. Estão jogando a constituição no lixo e indo contra a famosa Carta de Puebla, ao negar saúde às pessoas que não podem adquirir os remédios?, declarou.

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Fuad Faraj pediu à Justiça que exija o cumprimento das liminares num prazo de 48 horas sob pena de prisão do secretário. O pedido deve ser julgado nos próximos dias. A assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Saúde informou que o secretário só se pronunciará sobre o assunto após receber notificação judicial.

Secretário se defende no site do governo

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Apesar de a assessoria de imprensa da Secretaria de Saúde ter informado que não se pronunciaria sobre o pedido de prisão contra Cláudio Xavier, a Agência Estadual de Saúde publicou, no final da tarde de ontem, matéria em que o secretário dá declarações sobre a questão da compra de medicamentos e das medidas judiciais.

Na matéria, o secretário declara que prefere colocar sua segurança em risco ao invés de expor a saúde das pessoas, assim como os recursos do SUS. ?Precisamos esclarecer esta situação. Muitas vezes é receitado e ordenado pela Justiça que o Estado forneça medicamentos que sequer têm registro para venda no Brasil e sua eficácia comprovada. É imprescindível que esta regulamentação ocorra logo. Enquanto isso, a secretaria busca atender ao cumprimento de todas as liminares no prazo possível?, declarou à agência.

A matéria trouxe, também, a opinião do governador Roberto Requião sobre o assunto. Na reunião do Codesul, em Gramado-RS, o governador declarou que ?as decisões judiciais são para supostamente atender a uma pessoa. Estamos tratando de medicamentos experimentais sem eficácia comprovada e comprados por preços estabelecidos pelos seus laboratórios. Há um conluio dos laboratórios com médicos e advogados. Quando o médico receita um medicamento sem eficácia, está sendo irresponsável. Não se trata de negar tratamento, mas negar que laboratórios quebrem o sistema de saúde?.