As empresas Itamaracá Empreendimentos e Calil Cury Empreendimentos Imobiliários cobram na Justiça de São Paulo uma dívida do Ministério Público de São Paulo, que segundo elas chega a R$ 1.592.539,46. A ação propõe que caso o pagamento não seja realizado, o órgão seja despejado do edifício que ocupa na região central da capital paulista, na Rua Manoel da Nóbrega – nesse edifício ficam instalados gabinetes de procuradores de Justiça.

continua após a publicidade

Na segunda-feira, 9, a ação foi suspensa até que seja julgado a agravo de instrumento impetrado pelo Ministério Público. A instituição afirma que não deve os alugueis porque o contrato de locação foi rescindido e os proprietários indenizados pela desapropriação. Em 1994, segundo a Procuradoria, houve a quitação de precatórios pela Fazenda Pública, que promoveu a desapropriação.

“A rescisão foi comunicada ao ex-proprietário, que não impugnou e que, dirigindo-se ao Ministério Público, entregou os carnês de IPTU e deu, naquela ocasião, por rescindida a locação. O imóvel deixou de pertencer ao locador, passando a integrar o patrimônio público. A Fazenda certificou, quando da rescisão, a quitação integral dos precatórios”, informou o Ministério Público.

O contrato foi firmado em 19 de maio de 1993. O aluguel mensal, em 2013, era de cerca de R$ 136 mil mensais. A Itamaracá e a Calil Cury alegam que o MP está inadimplente desde junho de 2012.

continua após a publicidade

“O ex-proprietário já recebeu integralmente a indenização e o imóvel passou a pertencer à Fazenda Pública. Não há pagamentos em razão da rescisão do contrato de locação que não foi impugnada pelo ex-proprietário”, afirmou o MP. “Qualquer pagamento poderá vir a ser efetuado se decorrente de decisão judicial.”

No fim de dezembro do ano passado, o Tribunal de Justiça de São Paulo havia decidido que a Fazenda Pública seria a responsável pelo pagamento. O prazo era de 30 dias.

continua após a publicidade

“Foi concedido novo prazo de 30 dias para pagamento, conforme decisão publicada em 31 de janeiro de 2015, de sorte que, tal prazo ainda está em curso”, afirmou a Procuradoria-Geral do Estado.

A reportagem procurou o advogado Roberto Elias Cury, que representa a Itamaracá e a Calil Cury, em três oportunidades, mas foi informada que ele não estava e que celular e e-mail não poderiam ser passados.