O presidente da Assembleia Legislativa (AL), deputado Nelson Justus (DEM), ainda não definiu o substituto de Abib Miguel, o Bibinho, para o cargo de diretor-geral da Casa.

A indicação do novo diretor-geral é uma prerrogativa do presidente, mas que poderá ser decidida em conjunto pelos dez deputados que compõem a Mesa Executiva.

Bibinho pediu afastamento do cargo, anteontem, em caráter temporário, até que sejam concluídas as investigações sobre a série de denúncias de irregularidades feita pela Rede Paranaense de Comunicação (RPC) – TV Paranaense e jornal Gazeta do Povo.

Ontem, o Ministério Público Estadual (MPE) anunciou que o procurador-geral de Justiça, Olympio de Sá Sotto Maior Neto, encaminhou à Assembleia ofício requisitando documentos referentes aos servidores citados nas denúncias publicadas pelo jornal.

O caso está sendo investigado pela Promotoria de Proteção ao Patrimônio Público da capital, que apura desvio de recursos públicos, entre outras acusações feitas contra o ex-diretor geral da Assembleia.

A Procuradoria-Geral de Justiça informou ainda que designou os promotores de Justiça com atuação no Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) para colaborar nas investigações.

O Gaeco prestará apoio ao trabalho que está sendo desenvolvido pelos promotores da área de Proteção ao Patrimônio Público, realizando diligências conjuntas.

No noticiário da noite, a RPC-TV exibiu entrevista com o presidente da Assembleia, que prometeu um “novo modelo de gestão” da Casa. E declarou que vai aproveitar o bombardeio de denúncias de irregularidades para avançar no que chamou de processo de transparência do Legislativo.

No mesmo telejornal, a emissora também mostrou o depoimento de uma mulher que admitiu ser “funcionária fantasma”. Ela relatou que cedeu para um deputado, cuja identidade não foi revelada pela reportagem, o número do CPF e o nome para abertura de uma conta onde era depositado um salário, que sacava no caixa e devolvia para o assessor do parlamentar. Em troca, o deputado pagaria o plano de saúde para a mulher, que também não foi identificada.

A emissora também mostrou que a Assembleia Legislativa emprega políticos que exercem mandatos no interior do Estado. São 73 políticos que aparecem na lista de funcionários divulgada pela AL, no ano passado.

Muitos deles lotados nos gabinetes dos deputados, como o caso de um vereador que trabalhou no gabinete do deputado Valdir Rossoni (PSDB) e que foi desligado apenas três meses depois de ser eleito no interior do Estado.

O deputado federal Dr. Rosinha (PT), que exerceu dois mandatos de deputado estadual, irá requerer que a Polícia Federal (PF) passe a investigar as denúncias de contratação de funcionários fantasmas e desvios de recursos na AL.

Para Rosinha, os órgãos públicos estaduais não estão imunes a influências políticas. “A investigação precisa ficar fora da esfera de influência de alguns deputados estaduais envolvidos”, afirmou.