Se quiser deixar o PMDB, o deputado estadual Mauro Moraes terá que abdicar do mandato. O juiz substituto Luciano Carrasco Falavinha Souza, do Tribunal Regional Eleitoral, rejeitou a concessão de liminar à petição de Moraes que pretendia mudar de partido sem ser acusado de infidelidade partidária, ao sair do PMDB.

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Moraes pediu uma declaração de “justa causa” para se desfiliar e, desta forma, não perder o mandato na Assembléia Legislativa. Na ação declaratória, Moraes alegou que está sendo discriminado pela direção do partido que cancelou suas participações nas comissões permanentes da Assembleia.

No despacho, o juiz escreveu que não era o caso de decidir liminarmente, já que não se trata de um tema emergencial e que demandaria muito mais tempo de análise para uma conclusão.

Quanto à solicitação de Mauro para que o PMDB ficasse proibido de entrar na Justiça para requerer seu mandato, o juiz observou que não existe uma forma de impedir o acesso da parte interessada ao Judiciário.

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E, convém frisar, não se admite impedir que alguém exerça o direito de acesso ao Judiciário, previsto constitucionalmente (art. 5º, XXXV, CF), na hipótese o Ministério Público ou qualquer interessado”, justificou.

Justa causa

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Na resolução 22.610, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que consolidou o entendimento de que o mandato pertence ao partido e não ao eleito, existem algumas condições para que a mudança de sigla seja declarada como “justa causa”, ou seja, sem gerar a aplicação das penalidades.

Entre elas, estão a incorporação ou fusão do partido, criação de novo partido, mudança substancial ou desvio reiterado do programa partidário e grave discriminação pessoal.

Moraes acusou a direção estadual do PMDB de agir de forma autoritária quando ele discorda das orientações da bancada governista na Assembleia Legislativa. Os atritos com as orientações da liderança do governo provocaram a destituição do deputado das comissões de Constituição e Justiça e da Comissão de Segurança.

O presidente estadual do PMDB, Waldyr Pugliesi, disse que as vagas nas comissões representam o partido e que Moraes não estava cumprindo esse papel. Além de se posicionar na contramão das votações orientadas pela bancada do governo, Moraes também trabalhou contra a candidatura do partido à prefeitura de Curitiba, nas eleições municipais de 2008.