O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) errou ao manter em seu governo uma série de auxiliares do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. A avaliação é do deputado federal Dr. Rosinha (PT). ?Tanto no caso dos Correios quanto no de Furnas, há envolvimento direto de auxiliares do governo FHC?, afirma o parlamentar petista. ?A manutenção dessas pessoas em seus cargos foi um erro do presidente Lula?, declarou.

Rosinha cita como exemplo, para justificar sua tese, o caso de Dimas Toledo, diretor de Furnas apontado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) como participante de um esquema de corrupção. Afastado por Lula na última quinta-feira Dimas fazia parte da direção da estatal há seis anos. Durante o segundo mandato de FHC, chegou a presidi-la interinamente. Em abril de 2002, Dimas recebeu o troféu ?Prêmio Qualidade? das mãos do presidente tucano.

No caso dos Correios, o ex-presidente da empresa, João Henrique de Almeida Souza -afastado por Lula no último mês de maio – foi ministro dos Transporte do governo FHC. ?As investigações de corrupção devem ser feitas com profundidade, inclusive durante a gestão tucana?, defende Rosinha.

Em nota divulgada esta semana, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), nega ter feito lobby pela manutenção de Dimas Toledo em seu cargo. ?Nunca houve essa injunção?, diz trecho da nota. Mas Rosinha cita que uma informação publicada na coluna Painel do jornal Folha de S.Paulo, em sua edição de 29 de janeiro de 2003 – mês inicial do governo Lula – revela justamente o contrário.

Intitulada ?Mineiramente?, a nota, que não foi desmentida, afirma: ?Aécio Neves (PSDB-MG) conseguiu com Lula manter o afilhado Dimas Toledo na Diretoria de Planejamento e Engenharia de Furnas?. A mesma nota informava ainda que o pai do governador mineiro, Aécio Ferreira da Cunha, continuaria no Conselho de Administração da empresa. É o que mostra a página de Furnas na internet, apontou Rosinha.