O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse neste domingo, 5, que a questão da independência do Banco Central foi importante para uma candidata – referindo-se a Marina Silva (PSB) – que levantou essa bandeira durante a campanha. “Essa foi uma questão que foi importante para uma candidata, mas se ela (Marina) estiver fora do pleito no segundo turno, a discussão perde importância”, afirmou após ter votado em uma escola da zona sul de São Paulo.

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De acordo com Mantega, com uma eventual presença do candidato do PSDB, Aécio Neves, no segundo turno, a discussão sobre o papel do BC será diminuída, porque o tucano não está propondo a independência formal da autoridade, algo que também nunca foi proposto pelo partido, inclusive o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. “Aliás, o Fernando Henrique fez uma declaração importante recentemente. De acordo com ele, se o BC tivesse independência em 1999, quando houve uma baita crise cambial, ele não poderia ter mudado o presidente da autarquia”.

O ministro avaliou que, o que não deve mudar no segundo turno é a discussão sobre a política que o BC deveria adotar. Ele aproveitou para cutucar o ex-presidente do BC Armínio Fraga, que já foi indicado como provável ministro da Fazendo de Aécio Neves. “O BC presidido pelo Armínio é o que praticou as maiores taxas de juros do mundo, as mais altas de todos os tempos. Então, a gente pode pensar em uma mudança para uma linha mais ortodoxa do BC, com juros mais altos”, disse o ministro.

Bolsa

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Ainda de acordo com Mantega, a Bolsa de Valores sempre acaba subindo depois de um final de pleito eleitoral e por isso ele prevê uma recuperação depois do segundo turno.

O ministro da Fazenda disse que os mercados deverão abrir na segunda-feira, 6, grandes novidades, independentemente do candidato que for para o segundo turno contra a presidente Dilma Rousseff (PT). De acordo com ele, que votou em uma escola na zona sul de São Paulo, a imprensa está superestimando o papel das eleições nos mercados e a turbulência nas últimas semanas está relacionada mais ao cenário internacional. Estava previsto que Mantega votasse pela manhã, mas ele chegou ao colégio por volta das 14 horas.

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“Vocês (imprensa) estão superestimando o papel das eleições nos mercados, mas a verdade é que nós estamos passamos por alguma turbulência nas últimas semanas por causa do Fed (Federal Reserve, o BC dos EUA), que já começou a sinalizar um aumento de juros”, disse o ministro, acrescentando que a recente queda nos preços das commodities também influenciou o comportamento dos mercados. “Tivemos também notícias ruins no front econômico europeu, e tudo isso tem levado a uma desvalorização de várias moedas”, explicou, argumentando que na verdade o que está ocorrendo é uma valorização do dólar ante as demais divisas.

Segundo Mantega, cada moeda reage de uma forma diferente e o real é uma moeda que tem mais liquidez e por isso se movimenta mais rapidamente. “É possível que durante o segundo turno haja alguma volatilidade nos mercados, mas isso é passageiro”, afirmou. Ele ressaltou que essa volatilidade não se compara com 2002, quando houve uma megadesvalorização do real. “Agora o real é uma moeda sólida, o câmbio é flutuante e nós o temos deixado flutuar”.

Superávit

Mantega voltou a dizer que o governo fará o superávit primário possível para este ano. De acordo com ele, 2014 está sendo um ano mais difícil porque a arrecadação cresceu menos do que o previsto. Ele não quis se comprometer com uma previsão, o que significa que por enquanto está mantida a meta de superávit de 1,9% do PIB, mas ressaltou que a atividade está se recuperando no segundo semestre e que a arrecadação no período deverá ser um pouco melhor.

“Vamos ter receitas extraordinárias até o final do ano. Então, vamos esperar novembro para termos um panorama melhor”, afirmou após votar em uma escola da zona sul de São Paulo.