A maioria dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) votou hoje, durante o julgamento do mensalão, pela condenação do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, do empresário Marcos Valério e mais quatro réus por corrupção ativa. 

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Os ministros entenderam que os cinco –além de Delúbio, Valério, Ramon Hollerbach, Cristiano Paz e Simone Vasconcelos –participaram da montagem do esquema de compra de apoio político no Congresso nos primeiros anos do governo Lula.

Também foi formada maioria para absolver o ex-ministro Anderson Adauto (Transportes) e Geiza Dias, funcionária de Valério em uma de suas agências de publicidade. 

Votaram nesse sentido os ministros: Joaquim Barbosa, Ricardo Lewandowski, Rosa Weber, Luiz Fux, Dias Toffoli e Carmen Lúcia.

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O voto que formou a maioria foi dada pela ministra Carmen Lúcia. Na sua exposição, que ainda não foi concluída, rebateu enfaticamente a defesa de Delúbio de que ele teria comentido apenas caixa dois eleitoral, tese das defesas dos réus rejeitada pelo Supremo. A ministra também disse que Delúbio não agiu sozinho.

“Está devidamente comprovado, ao meu ver, a prática de Delúbio Soares, incompatível com a legislação, quer pela entrega de recursos, pela indicação dos beneficiários, quer pela composição que não era feita mediante convencimento. Está comprovada nos autos que houve corrupção ativa”, disse.

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Cármen Lúcia disse ainda que lhe causou desconforto a defesa de Delúbio usar a tese de que todos esses repasses eram parte de um suposto caixa dois. “Alguém afirmar que houve ilícito, com a tranquilidade que fez aqui, é uma coisa inédita na minha carreira.” 

“Acho estranho e grave que uma pessoa diga “houve caixa dois’. Ora, caixa dois é crime, é uma agressão à sociedade brasileira”, afirmou a ministra. “Me parece grave, porque parece que ilícito no Brasil pode ser realizado e tudo bem.”
Para ela, tratar o ilícito com essa normalidade é assumir que os fatos da acusação ocorreram.