Enquanto a direção estadual do PT espera um sinal da direção nacional para definir seu rumo na sucessão estadual, a ex-secretária de Ciência e Tecnologia Lygia Pupatto e pré-candidata ao governo decidiu reabrir a discussão local.
Em texto encaminhado ao diretório estadual, Lygia pediu que o PT retire as candidaturas próprias, a dela e a do ex-prefeito de Londrina Nedson Micheletti, e concentre seus esforços na aglutinação dos partidos aliados do governo Lula para a construção de um palanque único para a ex-ministra Dilma Rousseff no Paraná.
O documento enviado por Lygia critica o resultado a que o PT chegou depois de meses de negociações com o PDT e outros partidos da base aliada. Ela destacou que, quando apresentou seu nome, acreditava que era o caminho para fortalecer as estratégias eleitorais nacional e estadual.
Mas observou que o tempo passou, as negociações não evoluíram e hoje o partido tem inúmeras opções, mas não se definiu por nenhuma a cinco meses da eleição.
“Desde então já passaram seis meses. As dificuldades que esse debate enfrentou em nosso Estado nos conduziu a um quadro ainda mais adverso, ou seja, hoje todos os caminhos são possíveis, leia-se: o PT pode ter candidatura própria, pode ser vice do PMDB, pode ser vice do PDT, ou pode até mesmo compor uma aliança indicando apenas uma candidatura ao Senado”, diz a carta.
| Anderson Tozato |
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| Pessuti: palanque para Dilma? |
De acordo com a ex-secretária, o PT não pode mais perder tempo. “Temos a grande responsabilidade de reverter, na região Sul do Brasil, o quadro eleitoral adverso que se apresenta hoje ao nosso projeto maior”, escreveu Lygia.
Ela concluiu que o PT deve fazer o que chamou de “um gesto efetivo” de aproximação com os aliados que se apresentam em condições de produzir um resultado eleitoral favorável a Dilma no Paraná.
Sujeito oculto
| Fábio Alexandre |
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| Pugliesi: PMDB está aberto ao PT. |
No documento, a ex-secretária não cita nomes ou aponta quem seriam os aliados que poderiam fornecer uma candidatura com potencial para ajudar a pré-candidata a presidência da República. Mas a ex-secretária nunca escondeu sua preferência por um acordo com o PMDB.
Integrante da equipe do ex-governador Roberto Requião, Lygia sempre defendeu a reaproximação entre os dois partidos. O presidente estadual do PMDB, deputado Waldyr Pugliesi, afirmou que o PMDB trabalha atualmente na expectativa de consolidar a candidatura do governador Orlando Pessuti e eleger Requião ao Senado. Mas que não vê impedimentos nas negociações com o PT.
Para Pugliesi, não procede a tese de que uma aliança entre os dois partidos seria vetada por Requião devido à candidatura da ex-presidente estadual do PT Gleisi Hoffmann ao Senado.
“O Requião não tem que temer a candidatura de ninguém. Ele tem três mil obras que nem deu tempo de inaugurar no Estado”, disse o dirigente peemedebista.
Mas lembrou que o partido ainda está dividido entre uma aliança de apoio à candidatura do PT e do ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) à presidência da República.
Campanha de Osmar pode ficar com pouco tempo na TV
Roger Pereira
O lançamento de candidatura própria do PT (com a ideia de criar três palanques para Dilma Rousseff) e a possibilidade de até sete candidatos ao governo do Paran&aac,ute; pode dificultar a campanha do senador Osmar Dias (PDT), ao menos no primeiro turno das eleições estaduais.
Se, em um eventual segundo turno, Osmar teria a chance de juntar o PT e o PMDB do governador Orlando Pessuti, em seu palanque, o senador pode não ter vida fácil para conseguir vaga no segundo turno já que passará a enfrentar partidos maiores, com máquinas públicas à disposição e com mais tempo de TV que o PDT.
Sozinho, o PDT teria apenas 5,2% do tempo de TV a ser dividido entre os partidos de acordo com o tamanho de suas bancadas na Câmara Federal, contra 20% do PMDB, 17% do PT e 13% do PSDB. Osmar só teria mais tempo que os pré-candidatos de PPS, PV e PSOL.
O PSDB de Beto Richa ainda teria o reforço dos 5% de tempo do PSB. Para aumentar seu tempo de TV no primeiro turno, Osmar teria de garantir apoio de outros partidos que não lançarão candidatos.
Com 66 deputados federais, o DEM tem direito a 12% do tempo, mas, apesar de o presidente do partido, Abelardo Lupion, apoiar Osmar, as demais lideranças já declararam apoio a Beto.
Indefinição parecida com a do PP, com 8,5% do tempo e dividido entre Osmar e Beto. O grande reforço para Osmar pode vir do PR, que, com 56 deputados, pode dar mais 10% do tempo a ser dividido pelo pedetista.