O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi convocado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para testemunhar em defesa do presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, e do ex-líder do PP na Câmara, José Janene, em ação penal do mensalão, nome pelo qual ficou conhecido o esquema de compra de apoio político no Congresso Nacional.

Na última sexta-feira, o relator do processo, ministro Joaquim Barbosa, enviou ofício convocando o presidente a prestar testemunho pessoal ou por escrito, de acordo com sua disponibilidade. Como presidente da República, Lula tem a prerrogativa de escolher local, dia e hora do depoimento. A assessoria da Presidência informou que Lula ainda não se manifestou a respeito.

Jefferson e Janene respondem na ação por crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva. O ex-líder do PP é também acusado pela Justiça por formação de quadrilha em denúncia acolhida pelo STF em 2007.

Denúncia do Ministério Público Federal (MPF) classificou o mensalão de “operação especializada em desviar dinheiro público e comprar apoio político”, com o objetivo de “garantir a continuidade do projeto de poder” da legenda do presidente, o PT. Lula negou diversas vezes durante o episódio ter informações sobre a existência do esquema.

Além de Lula, também foi arrolado pelo STF o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). Temer foi convocado a pedido do ex-deputado federal José Rodrigues Borba (PMDB-PA), que responde pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O ministro Joaquim Barbosa já notificou o peemedebista, que deve responder ao ofício nos próximos dias, de acordo com sua assessoria de imprensa.

A Justiça deve convocar ao todo 600 pessoas para depor em defesa de réus da ação. Barbosa deu até maio de 2010 para que todas as testemunhas sejam ouvidas pela Justiça.