O professor Roberto Mangabeira Unger propôs uma política econômica alternativa à que está sendo executada pelo atual governo. Convidado especial do governador Roberto Requião para a reunião de secretariado de ontem em Curitiba, Unger criticou a atual condução da política econômica do país e salientou que o governo federal está executando um projeto que foi eleito exatamente para substituir.

Mangabeira Unger é professor titular de Direito da Universidade de Harvard (EUA) e autor de vários livros com temas políticos e econômicos. Em sua análise, o professor ressaltou que o Brasil é o único país continental que segue um “formulário desacreditado” e, por isso, “está afundando na combinação da estagnação econômica com desigualdade social”.

O professor apresentou uma fórmula de governo que prega a renegociação da dívida pública de forma ordenada e a adoção de “uma economia de guerra sem guerra”, através da imposição de uma poupança interna forçada e manutenção da política tributária em níveis elevados. Para isso, os salários devem ter aumento real para elevar a participação desse item na renda nacional.

Ele justificou que países que aceitaram o compromisso com o receituário econômico do Fundo Monetário Internacional (FMI) são os que estacionaram. Por outro lado, países que desafiaram esse receituário são os que estão crescendo à exemplo da China, Rússia, Índia e Argentina.

Guerra sem guerra

O professor destacou ainda que o governo não está prestando atenção na formação de novos grupos sociais, entre eles uma classe média emergente aberta para um novo projeto para o país. Citou como exemplo uma pesquisa do Banco Mundial feita em 2003, em que o Brasil aparece em primeiro lugar no ranking de empreendedores. “Isso revela que os trabalhadores não querem ser apenas funcionários de grandes empresas, mas ter seus próprios negócios”, analisou. A partir desse segmento, disse, seria possível introduzir um projeto alternativo para o país.

A “economia de guerra sem guerra”, defendida por Mangabeira, tem como pressuposto a mobilização dos recursos nacionais para eliminar a dependência dos mercados financeiros.