O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um apelo hoje (26) à noite, em comício na Cidade Industrial de Curitiba, bairro mais populoso da capital paranaense, com cerca de 160 mil habitantes, para que a população não permita que se volte ao “atraso” que vivia em 2002. “Nestas eleições não está em jogo votar em uma mulher ou em um homem, votar em um partido ou em outro. (Está em jogo) a gente não esquecer o que era o País em 2002”, disse.

Ele pediu que todos lembrassem o que valia o salário mínimo naquela época, o desemprego, a agricultura familiar, o apagão de 2001. “Tem que lembrar o que acontecia há oito anos para decidir se quer dar um passo atrás ou se quer continuar caminhando na conquista de um país que somente até setembro criou 2,2 milhões de empregos com carteira assinada”, apelou. “Depois de eleger um primeiro metalúrgico, é desafio para nós mostrar que não temos preconceito, que não queremos votar numa saia ou numa calça comprida, mas queremos votar na inteligência, na consciência, na competência dessa pessoa.”

O presidente também fez um apelo para os eleitores não aceitarem provocações nos cinco dias que restam para as eleições. “Vamos levantar a cabeça, não vamos aceitar desaforos, não vamos aceitar provocações, porque daqui a pouco vão jogar bola de papel na gente”, ironizou, em referência ao episódio do Rio de Janeiro, em que o candidato do PSDB, José Serra, foi atingido por bolinhas de papel e por um rolo de fita crepe. “O cara que não respeita uma campanha política, que não respeita uma mulher que disputa com ele, agredindo ela na televisão, se for eleito como vai respeitar cada um de nós?”

Após receber homenagem pelos 65 anos que comemora amanhã (27), Lula lembrou que foi o presidente que, entre outras coisas, menos tinha lido livros ao assumir a Presidência e ficou com medo. “O povo eleitor é que nem torcedor de futebol, o cara marca gol de placa e é aplaudido de pé, mas depois perde um pênalti e é vaiado na saída do estádio”, disse. Segundo ele, ao chegar à Presidência o sonho era elevar o salário mínimo a 100 dólares e hoje ninguém mais fala nisso porque está em 300 dólares.

Em referência à promessa de Serra de elevar o mínimo a 600 dólares, Lula fez um alerta. “Se acreditasse em todas as promessas, o Brasil teria um padrão de vida muito alto porque promessa não falta”, disse. “Nós não precisamos de promessas, precisamos de governante que tenha vergonha na cara e cumpra o que está prometendo.” E fez novo apelo: “Não é possível que um Estado como o Paraná, um dos mais desenvolvidos, um Estado em que o povo atingiu padrão de maturidade superior ao País, não é possível que permita que este país desça serra abaixo”.