“Gostaria que tivéssemos apenas um candidato, que fizéssemos uma eleição plebiscitária – pão pão, queijo queijo”. A defesa incisiva foi feita hoje pelo presidente Luiz Inácio da Silva durante sua visita a Floresta, no sertão pernambucano, onde vistoriou o canteiro de obras na tomada d’água do eixo leste da transposição do São Francisco.

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“Se não for possível, paciência”, completou ele, ao deixar claro, no entanto, que no que depender dele, sua sucessão será disputada por um representante da situação e um da oposição.

Indagado sobre a possibilidade de dois palanques presidenciais em Pernambuco – com as candidaturas da ministra Dilma Rousseff (PT) e do deputado federal Ciro Gomes (PSB) – ele brincou: “não vê que a Dilma e o Ciro estão sempre juntinhos?”

Confiante na relação construída com os governadores de Pernambuco, Eduardo Campos, e do Ceará, Cid Gomes, ambos do PSB, acredita que haverá entendimento nacional em torno de um só candidato. “Não me vejo indo a Pernambuco sem estar no palanque de Eduardo, não me vejo indo ao Ceará sem estar no palanque de Cid”.

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“Vamos trabalhar, temos seis meses para maturar, muita coisa vai acontecer, vamos maturar”, observou na expectativa de poder anunciar um só candidato.

Obra irreversível

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O presidente considerou a obra da transposição do São Francisco “irreversível”, independente de quem venha a sucedê-lo. “Vamos ter (em 2010) um canal pronto (eixo leste) e outro com mais ou menos 70% (eixo norte) pronto”, observou.

“Acho que as pessoas que vierem depois de mim vão terminar e fazer outras obras mais importantes ainda”, afirmou ao destacar que pretende deixar “uma prateleira de projetos e dinheiro previsto no orçamento para que quem vier possa começar bombando, trabalhando muito, porque o Brasil aprendeu a gostar de crescer, o povo aprendeu a gostar de trabalhar”.

Crescimento

“Não há possibilidade de o Brasil parar de crescer”, destacou ao citar que o Brasil irá gerar mais de um milhão de empregos neste ano, de recessão internacional. “Aprendemos que este País só se transformará numa grande potência se não parar de crescer e para não parar de crescer o Estado tem que ter capacidade de investimento, de planejamento, precisa trabalhar junto com governadores e com prefeitos”. Por isso, segundo ele, agora será necessário um novo PAC – 2011/2015 – para a Copa do Mundo e a Olimpíada. “Até 2016, vamos ter tarefas incomensuráveis para fazer neste País”, afirmou. “E agora com o pré-sal nem me fale”. “O próprio Banco Mundial estima que em 2016 o Brasil será a quinta economia do mundo”, lembrou.

Oposição

Lula voltou a criticar seus opositores ao afirmar que se dependesse da oposição ele não faria nem o primeiro PAC. “O que a oposição quer é que o País pare para eles terem razão e o que a situação quer é trabalhar mais para não dar razão para a oposição”. O dado concreto, segundo o presidente, é que a oposição teve chance de fazer e não fez. “Nós estamos fazendo”.

Ainda sobre a obra da transposição, o presidente disse ser possivelmente a obra mais importante do Nordeste, mais do que a Transnordestina e mais do que a refinaria de Pernambuco, e as refinarias que serão instaladas em Fortaleza e São Luís do Maranhão. “Por uma razão: trata de um direito elementar e básico do mundo animal e do ser humano que é água para beber. Não é possível que as pessoas não se deem conta que a gente não pode ficar a cada verão chorando a seca no Nordeste brasileiro”.