Menos de 24 horas depois da derrota do Planalto na tentativa de reconduzir Guilherme Figueiredo ao cargo de diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) instigou as desavenças entre os maiores partidos da base aliada, PT e PMDB, ao propor a substituição do líder do governo Romero Jucá (PMDB-RR). Ele disse que, se fosse Jucá, pediria para deixar o cargo.

O entendimento de Lindbergh é que o líder sabia antecipadamente da movimentação de seu partido para derrubar a indicação de Figueiredo. “Quem nomeia o líder do governo é a presidente. Mas seu eu fosse ele pedia para sair”, afirmou. “Tem um problema do PMDB com o governo e com os senadores do PT. Fomos pegos completamente de surpresa”, admitiu.

Como relator da indicação do diretor-geral da ANTT, Lindbergh Farias parecia totalmente convencido da aprovação. Tanto que avisou no plenário que não subiu à tribuna para defendê-la “porque a orientação do governo era de irmos direto para a votação”. No seu entender, duas alas do PMDB agiram para derrotar Figueiredo. “E é difícil um movimento dessa envergadura sem o conhecimento do líder do governo, que é peemedebista”, destacou, reforçando os argumentos pelos quais defende a saída de Romero Jucá. “Essa forma de tratamento não é uma maneira leal de agir, nem com o governo, nem com o PT do Senado que estamos juntos”, disse Lindbergh.

O líder do PT, senador Walter Pinheiro (BA), defende outra linha de atuação. Ele entende que a saída de Jucá ou de quem quer que fosse o líder, não mudaria o cenário. “Isso não resolveria o problema”, previu. “O que a gente precisa identificar é porque tivemos uma febre de 30 graus e lamentavelmente só podemos tomar o analgésico depois que ela chegou a 39 graus”, comparou. “Tirar o Jucá não me leva a descobrir o motivo dessa febre”, reiterou. “Se a presidente quiser trocar, é atribuição dela, mas eu prefiro mexer com as peças e descobrir o que nos levou, como base, a esse fato. O que a gente precisa fazer é afinar o trabalho da base, dialogar, senão a gente fica encontrando bode respiratório (brincou) e não resolve o problema”, completou.

Ao tomar conhecimento da posição de Lindbergh Farias, Romero Jucá repetiu o que sempre diz cada vez que pedem a sua saída: que o cargo é da presidente Dilma Rousseff, a quem cabe decidir sobre a sua permanência ou não. “Eu não sabia que nós íamos ser derrotados”, defendeu-se. “Se soubesse, a gente não tinha colocado em para votação”. Jucá disse que conversou com todos os líderes sobre a votação. “O senador Lindbergh não é líder. Eu trato com líderes e eles com as bancadas e quem escolhe o líder é a presidente. Quando o senador for presidente, ele escolhe”, ironizou.