O líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta (RS), criticou nesta sexta-feira, 2, as recentes declarações da presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, sobre os desdobramentos políticos da confirmação da condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em segunda instância. O petista disse considerar “estranho” que a ministra se manifeste fora dos autos, quando certamente terá de votar sobre recursos futuros que Lula deve impetrar na Corte.

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“Ela jamais poderia ter se manifestado sobre um assunto do qual ela vai participar do julgamento. A manifestação dela é inoportuna e inadequada para a função que ela exerce”, declarou Pimenta.

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Em um jantar nesta semana, Cármen Lúcia afirmou que usar o caso de Lula para revisar a decisão que permitiu a execução de pena após condenação em segunda instância judicial seria “apequenar” o tribunal. Em 2016, a Corte autorizou prisão de condenado em segunda instância. Inicialmente, a ministra pretendia pautar o tema nos próximos dois meses, mas mudou de ideia.

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Na quinta-feira, Cármen classificou de “inadmissível e inaceitável desacatar a Justiça”. Em discurso na sessão solene para marcar a abertura do Ano Judiciário de 2018, Cármen afirmou que sem “Justiça não há paz”. As declarações da ministra foram vistas como um recado a dirigentes petistas e a Lula, que na semana passada disse não ter “nenhuma razão para respeitar” a decisão” da 8.ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região.

“Pode-se ser favorável ou desfavorável à decisão judicial pela qual se aplica o direito. Pode-se buscar reformar a decisão judicial, pelos meios legais, pelos juízos competentes. É inadmissível e inaceitável desacatar a Justiça, agravá-la ou agredi-la. Justiça individual fora do Direito não é justiça, senão vingança ou ato de força pessoal”, discursou Cármen.

Legitimidade

Pimenta afirmou que nada impede a inscrição de Lula como candidato à presidência da República porque “não existe censura prévia” no Brasil. Ele disse que certamente haverá debates no STF sobre a candidatura do petista, já que o partido não tem um “plano B”. “Não vão obter legitimidade na eleição onde o principal nome for impedido de participar”, concluiu.

O deputado disse que haverá “crise institucional” no País se Lula for impedido de disputar, uma vez que uma eleição com altos índices de votos brancos e nulos – como indicam as pesquisas de intenção de voto – não será capaz de normalizar o clima político. “Só tem um jeito do Brasil refazer o pacto (institucional): uma eleição livre, com participação de Lula. Se não for isso, o País vai mergulhar numa crise”, enfatizou.