Após audiência de mais de uma hora na tarde de hoje com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Afonso Florence, o líder de uma ala dissidente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), José Rainha Júnior, aceitou uma trégua nas invasões de terras que sua facção promove desde janeiro na região do Pontal do Paranapanema, em São Paulo.

continua após a publicidade

Ele entregou ao ministro uma pauta de sete pontos para acelerar as desapropriações na região, começando pela federalização das ações fundiárias e eliminação da interferência do governo Geraldo Alckmin (PSDB), o qual reputou no documento como “estado antirreforma agrária”. Os outros pontos tratam de créditos, investimentos e benefícios sociais para os assentamentos.

Durante o chamado “janeiro quente”, o MST promoveu 38 invasões de terras na região do Pontal, 26 delas lideradas pela facção de Rainha. A trégua se estenderá até o mês de março, para que o novo governo estude sua proposta destinada “a acelerar a reforma agrária e pacificar a região”. O plano prevê que o governo federal libere recursos para indenização das terras mapeadas para reforma agrária na região do Pontal e que a seguir o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) assuma as ações para assentamento dos sem-terra.

O MST, segundo Rainha, tem mapeadas 42 áreas públicas em via final de desapropriação no Pontal, que somam 92 mil hectares, suficientes para o assentamento de 5 mil famílias. A medida, a seu ver, aliviaria a tensão existente na região, enquanto tramitam na Justiça os processos para desapropriação de um estoque de 350 mil hectares de terras na região.

continua após a publicidade

As terras em questão ficam nos municípios de Teodoro Sampaio e Euclides da Cunha. Nesse período de trégua não haveria novas ocupações. “Mas em abril, mês tradicional de lutas, a situação pode mudar se as negociações não prosperarem”, avisou. Rainha disse que saiu da reunião com boa impressão do ministro e com a sensação de que a política adotada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de tolerância e não criminalização dos movimentos sociais, será mantida no governo Dilma. “Senti que há compromisso do governo em priorizar a agricultura familiar, promover os assentamentos e desapropriações de terras para a reforma agrária”, afirmou.

Segundo ele, o tom amigável com que o movimento foi tratado no governo Lula não mudou. “Somos aliados do Lula e vamos continuar a aliança com Dilma”, disse. “Nós temos um lado e o nosso inimigo é o PSDB, um partido que não tem compromisso com a reforma agrária e promove a repressão dos trabalhadores sem terra”, acrescentou.

continua após a publicidade