Foto: Fábio Alexandre

Nelson Justus: vencido pelo cansaço.

O presidente da Assembléia Legislativa, Nelson Justus (DEM), pedirá hoje às lideranças dos partidos que indiquem seus representantes para compor a Comissão Especial de Investigação sobre os gastos do governo com publicidade em 2005 e 2006, proposta pelo deputado Marcelo Rangel (PPS).  

Justus discorda da instalação da comissão, mas disse que foi vencido pelo cansaço. ?Vou instalar pela insistência porque não vejo necessidade no momento em que temos as comissões permanentes com mais força e estrutura?, afirmou o presidente, que também vai começar a instalar a CPI do Pedágio, prevista no requerimento apresentada por Fábio Camargo (PTB).

Sem citar o nome de Rangel e Camargo, Justus disse que alguns deputados estão descaracterizando as comissões investigatórias. ?Tem gente que politiza demais as comissões. A insistência dos proponentes é por questões pessoais?, afirmou o presidente da Assembléia Legislativa.

A decisão de instalar as comissões saiu da reunião de ontem da mesa executiva. Os líderes têm 48 horas para encaminhar os nomes dos deputados que irão participar das duas comissões. No caso da comissão especial, são sete integrantes e apenas PMDB, PSDB, PT, DEM, PP e o bloco composto por PSB, PV e PRB. O PPS, partido de Rangel, não tem direito a integrar a comissão.

No caso da CPI do Pedágio, os vários partidos terão representantes, já que serão onze membros. Camargo pretende investigar a composição das tarifas pagas pelos usuários das estradas. Camargo alega que o pedágio do Paraná é um dos mais caros do País e que as empresas não realizaram as obras previstas nos contratos assinados com o governo do Estado, apesar de a receita da tarifa ter crescido nos últimos anos.

Discordâncias

A instalação das comissões não satisfez a oposição nem a situação. O líder da bancada de oposição, Valdir Rossoni (PSDB), defendeu a CEI das verbas de comunicação, mas é contra a participação do grupo, ou pelo menos do PSDB, na CPI do Pedágio. ?Não vou participar nem que seja indicado. Não vejo sentido nisso. Já foi feita uma CPI desse tema (na legislatura passada). O melhor mesmo era que o Requião cumprisse a promessa do ?baixa ou acaba??, ironizou o deputado tucano.

Já o líder do governo, deputado Luiz Claudio Romanelli (PMDB), ficou contrariado com a Comissão Especial da Comunicação. Mas disse que já está conversando com os líderes dos partidos aliados para definir um perfil dos deputados que devem ser indicados para os trabalhos.

Com a mudança na liderança do PSDB, que agora é exercida por Ademar Traiano, o governo perdeu uma das sete vagas da CPI. Garantidas mesmo somente as duas do PMDB e a terceira do PT. O PSDB, PDT e DEM também têm três. O bloco do PSB e o PP é que definirão de que lado estará o controle da CEI.