A Justiça Federal de Goiás começa nesta quinta uma maratona de audiências para o julgamento de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e outros sete membros da organização criminosa comandada pelo contraventor.

O processo é resultado da operação Monte Carlo, em que 81 pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público Federal (MPF). Nesta quinta serão ouvidas 10 testemunhas de defesa e outras quatro de acusação. Na sexta-feira será a vez dos réus. Um deles – Geovani Pereira da Silva – está foragido.

Apesar da expectativa com relação aos depoimentos, que devem durar mais de 20 horas, investigadores acreditam que os acusados vão falar pouco ou ainda permanecer em silêncio. O advogado do bicheiro, Márcio Thomaz Bastos, ex-ministro da Justiça, conseguiu autorização para que a defesa conversasse por no mínimo quatro horas com o cliente, que está preso no Centro de Detenção Provisória da Papuda, em Brasília, nos últimos dois dias.

Convocado pela CPI que investiga suas relações com políticos, Cachoeira afirmou que estava disposto a contar o que sabia após o depoimento em juízo marcado para sexta-feira. Braço-direito do contraventor, Lenine Araújo de Souza também prometeu colaborar após a audiência. Por meio dos advogados, o contador do grupo chegou a procurar o MP em busca de delação premiada. A defesa de Lenine tenta agora algum benefício na CPI.

Cachoeira escolheu o médico Arnaldo de Souza Teixeira Júnior, presidente da Unicred (cooperativa de crédito) e pediatra em hospitais de Anápolis. Já Wladimir Garcez, que durante defesa na CPI disse ser um homem bem relacionado politicamente, apostou no deputado estadual Daniel Messac de Morais (PSDB) como testemunha. A primeira indicação do ex-vereador morreu durante o processo. Foragido, Geovani indicou como testemunha João Evangelista. No entanto, a Justiça teve dificuldades de citá-lo e cobrou explicações sobre seu paradeiro.

O juiz substituto da 11ª Vara Federal de Goiás, Paulo Augusto Moreira Lima, é quem vai conduzir as audiências. Ex-delegado federal, o magistrado participou das investigações desde que elas foram remetidas para a Justiça Federal. Por esse motivo, a defesa de alguns dos acusados chegou a pedir a suspeição do magistrado. Mestre em Ciências Penais, Lima foi aprovado também nos concursos para promotor de Justiça e Defensor Público. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.