Foto: Evandro Monteiro/O Estado

René Dotti: ?É um caminho novo que está sendo buscado?.

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Com o objetivo de dar maior independência ao Poder Judiciário, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) estuda a criação de um fundo para custear as atividades da Justiça. A idéia é utilizar os recursos provenientes das taxas judiciais e as custas processuais para compor o fundo capaz de bancar as contas dos Tribunais de Justiça dos estados.

A comissão especial criada pelo Conselho Nacional de Justiça estuda a criação de fundos próprios pelos tribunais para cobrir as despesas. Para desenvolver o projeto, a comissão usa como exemplo o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que já tem um fundo próprio. O fundo seria constituído por três fontes oficiais de recursos: custas processuais, emolumentos e taxas judiciais.

Em entrevista ao portal Consultor Jurídico, o desembargador Marcus Faver, integrante do CNJ disse que essa medida será fundamental para que o Judiciário não fique submetido aos interesses dos demais poderes. ?A instituição, Poder Judiciário, só será independente se tiver independência financeira. Do contrário estará submetida aos interesses do Executivo?, disse.

A comissão também avaliará se a melhor opção não seria a criação de um fundo único, composto pelos valores decorrentes de depósitos judiciais, uma vez que em alguns estados do País a arrecadação é pequena e a Justiça não tem receita porque, segundo o próprio desembargador, dois terços dos serviços judiciários são feitos gratuitamente, nos Juizados Especiais Criminais e Cíveis. A intenção é que os juros desses depósitos, que hoje, em alguns estados, ficam integralmente com os bancos, sejam repartidos com a Justiça.

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O advogado René Dotti, um dos principais juristas do Estado, vê com bons olhos a iniciativa. ?É um caminho novo que está sendo buscado agora e que é extremamente válido. Não se pode pensar em independência enquanto outros poderes decidirem qual o orçamento disponível para a Justiça?, declarou.

A expectativa do CNJ é que até meados do ano as regras gerais para a constituição do fundo já estejam alinhavadas, para que, no segundo semestre, sua criação já seja discutida.

Polêmica

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Já outra idéia do CNJ para 2007 não está sendo muito bem vista pelos juristas. A criação de um ?Código de Ética para os Magistrados? tem recebido uma série de críticas. A iniciativa vai de encontro ao pedido feito pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e visa atender as cobranças da sociedade pela criação de normas que regulamentem o Judiciário. Contudo, sua eficácia é contestada por juizes e advogados.

O presidente do Instituto dos Magistrados do Distrito Federal, desembargador Valter Xavier, por exemplo, acredita que o CNJ, estando abaixo na hierarquia do Poder Judiciário Nacional, não vai abranger eventual ?falta de ética? oriunda dos ministros dos Tribunais Superiores e do Supremos Tribunal Federal.

René Dotti também é contrário à criação do código, que, para ele, seria em demasia. ?Já existe uma lei orgânica da magistratura nacional a que todos os juizes estão submetidos. Há também determinações quanto à conduta dos magistrados na Constituição. Assim, um novo código é desnecessário, serviria apenas como um mecanismo de confrontação do CNJ com os tribunais dos estados, que também já têm seu regimento?, comentou.