O ex-deputado federal José Janene (PP), 54 anos, faleceu ontem no Instituto do Coração (Incor), em São Paulo, onde estava internado desde o dia 4 de agosto. Portador de insuficiência cardíaca congestiva grave, Janene estava inscrito em fila de espera para transplante de coração há três meses.

Ele tentava se recuperar de uma cirurgia de troca de cardiodesfibrilador implantável, feita no mês passado, quando teve uma parada cardíaca. Em fevereiro, Janene já havia sofrido um acidente vascular cerebral (AVC).

O corpo de Janene foi transladado para Londrina, região norte do Paraná, onde foi velado na Mesquita Rei Faiçal. O sepultamento está marcado para as 10h de hoje, no Cemitério Islâmico de Londrina.

O deputado federal e candidato ao Senado pelo PP, Ricardo Barros, comentou a doença que acarretou na morte de Janene. “Foi o motivo pelo qual ele se aposentou da Câmara dos Deputados e infelizmente ele não resistiu. É de se lamentar, ele foi nosso presidente do partido”, disse.

O problema de saúde o impediu de se candidatar novamente ao cargo de deputado federal nessas eleições. Grande liderança do PP no Paraná até o final do governo de Jaime Lerner, Janene foi um importante interlocutor do Estado no Palácio do Planalto.

O nome de Janene esteve frequentemente relacionado ao escândalo do mensalão, suposto esquema de compra de votos de parlamentares durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2005.

Janene era um dos réus no processo que está no Supremo Tribunal Federal, pois ele teria recebido R$ 4,1 milhões pelo esquema operado pelo publicitário Marcos Valério.

Na Câmara dos Deputados, Janene foi o último a ser julgado pelo plenário da Casa, no caso mensalão, depois da demora da Comissão de Ética em apresentar parecer que recomendava a cassação do parlamentar. No fim de 2006, ele foi absolvido, numa sessão vazia. Ele se aposentou por invalidez recebendo R$ 12,8 mil mensais.