Candidato à presidência nacional do PMDB na convenção marcada para o próximo dia 11, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Nelson Jobim disse ontem que a única possibilidade de composição com o atual presidente do partido, Michel Temer, é mantendo sua posição na cabeça de chapa. ?Composição só é possível se mantida a candidatura a presidente?, afirmou Jobim, que almoçou com o governador Roberto Requião (PMDB), na Granja do Cangüiri, e reuniu-se com peemedebistas paranaenses, na sede do diretório estadual. No Paraná, Requião está apoiando Jobim e deve influenciar o voto da maioria dos 564 delegados à convenção estadual.
Jobim está percorrendo vários estados em busca do apoio para a empreitada de se eleger presidente do PMDB, rompendo com seis anos de domínio de Temer, que tenta um terceiro mandato no comando do partido. Jobim disse que aproximou Temer do governo federal para negociar a participação do partido na coalizão e que havia avisado que seria candidato à presidência do partido. O ex-ministro relatou que Temer pediu a ele que aguardasse para lançar a candidatura e então, surpreendeu-o articulando a sua reeleição. ?Eles fecharam todas as portas para uma candidatura única?, disse Jobim.
A principal crítica do ex-ministro ao ciclo de Temer é a ausência de um projeto do partido para o país. Segundo o ex-ministro, o PMDB perdeu o eixo após a morte do ex-deputado Ulysses Guimarães e a criação do PSDB, na década de 80. De lá para cá, o partido está limitado a uma disputa interna sem fim e se fragmentou em núcleos regionais, perdendo sua dimensão nacional, avaliou.
O ministro acha que somente a formulação de um programa nacional do PMDB, que contenha as posições do partido sobre os temas mais relevantes para o país, como as reformas tributária e política, pode reaglutinar o partido. ?O PMDB não tem inserção na sociedade porque não tem posição sobre os temas nacionais. E unidade só se consegue na perspectiva de um projeto que seja produzido pelas bases do partido, um programa nacional?, afirmou.
Se for eleito no dia 11, o ex-ministro disse que vai propor um calendário para o partido, que consiste na apresentação de um programa nacional até março de 2008. Enquanto isso, Jobim disse que os representantes do partido no governo devem seguir o programa básico da coalizão, composto por alguns pontos centrais que embasaram o acordo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o PMDB.
Sobre a possibilidade de Temer ser chamado para um ministério de Lula, se perder a convenção, Jobim disse que o convite depende do presidente da República e que, da sua parte, não haverá derrotados. Ele disse que os atuais ministros poderão continuar no cargo desde que se atenham ao programa da coalizão.
Jobim não quis comentar a posição do presidente Lula de aguardar o resultado da convenção do PMDB antes de definir os novos ministros. ?Essa é uma posição do presidente?, afirmou o ex-ministro, mais próximo a Lula do que Temer, que apoiou o ex-governador Geraldo Alckmin à presidência da República.
Sucessão
A elaboração de um programa do partido foi apontada por Jobim como o pressuposto básico também para que o PMDB possa sustentar candidatura à presidência da República em 2010. Ele não se inclui entre os nomes que poderão disputar a sucessão do presidente Lula e também evitou citar outros possíveis representantes do partido na eleição de 2010. ?Não vamos fulanizar candidaturas. O processo de construção do programa é que vai produzir as candidaturas?, desconversou o ex-ministro.
Ele usou o mesmo argumento quando questionado sobre as chances de o governador Roberto Requião se transformar num dos nomes para concorrer à sucessão de Lula, que é uma das metas do PMDB do Paraná. Repetiu que, primeiro, o partido precisa construir o seu programa, para em torno dele se revelarem os nomes em condições de concorrer.


