A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse hoje que seu ministério elaborou uma nova proposta de Código Florestal a ser debatida dentro do governo, com o objetivo de levar uma única posição para a Casa Civil.

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Izabella, que se reuniu com empresários na sede da Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), evitou dar detalhes, mas disse discordar de vários pontos da proposta do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), relator do projeto que altera o atual código, entre eles o que anistia os agricultores que desmataram áreas até 22 julho de 2008, caso aceitem aderir ao Programa de Regularização Ambiental, por meio do qual se comprometem a recuperar as áreas devastadas.

“O ministério construiu uma proposta para debate dentro do governo em torno de pontos que nós entendemos que devem ser modernizados. Neste momento, o que existe é um diálogo dentro do governo. Tem uma proposta minha, mas não é substitutivo, não é medida provisória. Estou conversando com os ministros envolvidos para, a partir daí, levar para a Casa Civil uma posição. Estamos em um processo de negociação interna”, afirmou.

Segundo a ministra, o atual projeto de lei não é claro em relação aos desmatadores. “Tem anistia de quem desmatou até 2008 e tem aqueles que são agricultura consolidada, há mais de 30 ou 40 anos, lá atrás. São duas coisas distintas e está pouco claro no projeto de lei. Precisa ser discutido”, disse.

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“Eu não aceito que se anistie desmatador que desmatou sabendo que estava cometendo crime ambiental. Isso não tem sentido. Na minha opinião, se a lei te autoriza a desmatar 20% e você desmata 80%, você conscientemente cometeu crime ambiental e tem que buscar os meios para regulamentar a situação. Agora, se a lei te autorizou a desmatar 50% e depois a lei mudou para 80%, por que essa pessoa deve ser penalizada como o outro? Ela cumpriu a lei. Temos que olhar caso a caso”, disse.

A ministra disse que, da forma como o projeto de lei foi elaborado, há incompatibilidades em relação à Política Nacional de Mudanças Climáticas. “O debate do Ministério do Meio Ambiente é dar base sólida para cumprir a lei, não perder o que nós temos, proteger o que nós temos e dar coerência entre as políticas. Eu não posso ter algo que inviabilize a Política Nacional de Mudanças Climáticas, que foi aprovada pelo próprio Congresso Nacional, pela qual o Brasil terá de fazer um esforço monumental para cumprir suas metas. Eu não tenho que ter algo para induzir novos desmatamentos, que impeça a regularização ambiental daqueles que querem e precisam ser regularizados”, afirmou.

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“Não é nenhuma intenção do ministério excluir produção, marginalizar ou criminalizar as pessoas, ao contrário. Mas nós temos que discutir isso como gente grande, construindo uma proposta que seja sólida para a sociedade brasileira, e não para resolver duas ou três situações que podem ser resolvidas”, acrescentou.

Economia florestal

Ainda de acordo com a ministra, o Código Florestal não aborda a questão da economia florestal e de ocupação urbana. “Temos uma preocupação sim de preservar tudo que está em pé. A reserva legal tem que ser preservada e não tem por que induzir novos desmatamentos. A Área de Preservação Permanente (APP) deve ser restaurada, basta ver o que ocorreu no Rio de Janeiro. A realidade nos mostra que há sentido em ter APP”, disse.

“Topo de morro tem de ser preservado, na minha opinião, em área rural e urbana. Qual o critério para medir topo de morro? Pode-se dizer que os critérios estão equivocados. Para isso, estamos perguntando para a ciência se realmente os critérios estão equivocados e que modelo podemos adotar”.

Sobre a possibilidade de o projeto do Código Florestal ser votado em março, como afirmou o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), a ministra disse: “Se for votado em março, eu terei, enquanto governo e não enquanto ministério, interlocução com o Congresso, à medida que formos devidamente orientados para fazer”.