O diretor geral da Usina de Itaipu, Jorge Samek, vai a Brasília no início desta semana discutir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Casa Civil, José Dirceu, a escolha do substituto do ex-deputado Rubens Bueno na diretoria administrativa da empresa. O cargo está vago desde a última terça-feira, dia 1.º, quando Bueno saiu para assumir a coordenação nacional das campanhas do PPS e, possivelmente, uma candidatura a prefeito de Curitiba.
Disputada pelos principais partidos da base de apoio ao governo, o PMDB, PTB e PL, e também pelo PT, a vaga de Bueno ainda está sem titular definido. As especulações são muitas e nelas estão os nomes do atual superintendente do Porto de Paranaguá, Eduardo Requião, do conselheiro da empresa, ex-deputado Edésio Passos e ainda do presidente da Copel, ex-governador Paulo Pimentel.
Entretanto, a direção da Itaipu não sinaliza para nenhuma das opções. A indicação de Eduardo dependeria de uma articulação do governador Roberto Requião (PMDB) que, oficialmente, já avisou que não pretende interferir na escolha. A assessoria de Requião informou que ele não indicou ninguém para o governo Lula e não pretende alterar seu procedimento. O único cargo, cujo preenchimento interessou a Requião foi a presidência do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), quando defendeu o nome de Carlos Lessa no início do governo, destaca a assessoria do governador.
As chances de Edésio Passos também não seriam tantas. Além da direção geral, o PT já ocupa as diretorias financeiras (Gleisi Hoffmann) e de Coordenação (Nelton Friedrich), num total de seis diretorias.
“Pressão democrática”
A indicação do novo diretor vai passar pelas composições políticas para as eleições municipais. Inicialmente, o PPS abdicou do lugar e não teria uma nova oportunidade. Mas a eleição em Curitiba pode alterar a disposição do PT. A insistência do PPS em lançar um candidato em Curitiba e a recusa em apoiar a candidatura de Angelo Vanhoni pode interferir na substituição. Bueno já confirmou que existe o que chamou de “pressão democrática” de lideranças petistas em Brasília para que o PPS se alie ao PT e PMDB em Curitiba.
Dependendo do rumo das conversas, não está descartada a permanência da diretoria com o PPS. Mas PL e PTB também integram a base de apoio do governo e até agora também não fecharam apoio ao PT na eleição em Curitiba.
PPS discute plano de governo
Os pré-candidatos a prefeito, vice-prefeito e vereador do PPS estiveram reunidos ontem em Curitiba durante um curso de formação política. Estiveram presentes representantes dos municípios com mais de 200 mil habitantes e de algumas capitais brasileiras. O evento serviu ainda para o lançamento do Fala Curitiba, que é um projeto que servirá como base para formatar o plano de governo do PPS para as próximas eleições.
Segundo o presidente regional do PPS paranaense, Rubens Bueno, o Fala Curitiba constitui em uma consulta popular que o partido fará junto ao eleitorado para elaborar seu plano de governo. Além de ouvir o povo nas ruas através de um questionário onde serão destacadas as principais prioridades para o município, o partido quer promover discussões com instituições como universidades e associações de classe. Além de Curitiba, o projeto será levado para outras cidades onde o PPS irá lançar candidatos à prefeitura. (Rosângela Oliveira)