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Caíto com o governador Roberto Requião: secretário não quer apear do cargo.

No momento em que o PMDB começa a preparar o terreno para o projeto de reeleição do governador Roberto Requião no próximo ano, a coordenação política do governo está paralisada. Há mais de quinze dias, o governador, peemedebistas e aliados aguardam uma posição do secretário Caíto Quintana para deflagrar uma mudança na Casa Civil, considerada o motor político-eleitoral do governo.

Depois de uma semana nervosa, o Palácio Iguaçu começou ontem uma operação de "descompressão" do secretário, que vinha sendo bombardeado por deputados aliados e da base de sustentação ao governo por causa da sua dificuldade em decidir seu futuro político.

A palavra de ordem é deixar o secretário à vontade e não apressar nenhuma decisão. Com isso, anuvia-se um pouco o clima entre o secretário, o governador e os deputados estaduais. A dúvida do secretário sobre retomar sua cadeira de deputado estadual na Assembléia Legislativa ou ocupar uma cadeira de conselheiro no Tribunal de Contas começou a irritar os deputados do PMDB e dos partidos que compõem a base de sustentação do governo, que passaram a criticar a demora da definição.

Recluso na Casa Civil, o secretário não tem se ocupado das tarefas de articulação política com a Assembléia Legislativa. À falta de Quintana, o posto vem sendo dividido entre o líder do governo e presidente estadual do PMDB, deputado Dobrandino da Silva, e o procurador-geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda. Responsável pelas batalhas jurídicas do governo, Botto teve que estrear na função de mediação com a Assembléia recentemente, tentando negociar com os deputados a votação do projeto que transforma a Emater em uma autarquia.

Ontem, Dobrandino conversou demoradamente com Quintana. Na saída, suavizou o discurso em relação ao secretário, imprimindo um novo tom na análise da situação. "Compreendo que é uma decisão difícil a ser tomada, que precisa ser analisada com cuidado, tempo, porque trata do seu futuro pessoal como político. Eu estou solidário a decisão que ele tomar", disse Dobrandino. "De uma coisa, eu tenho certeza, será uma decisão sábia, serena, sem qualquer tipo de rusga, mácula, junto ao PMDB", comentou.

Impasse

Como Quintana é amigo pessoal e um dos seus mais fiéis e antigos aliados, Requião está tentando preservar seu secretário. Mas os deputados estavam se encarregando de fazer a pressão necessária para que Quintana rompa com o desconforto que teria sido criado por ele mesmo ao acenar que deixaria o governo e depois se arrepender.

Além de reclamarem que este é um momento chave para a coordenação política do governo – falta um ano e meio para a eleição – os deputados estaduais não escondem a insatisfação com o desempenho de Quintana na Casa Civil. A crítica mais freqüente é que Quintana direcionou todos as suas energias para o seu projeto eleitoral individual – ninguém duvida que ele seria reeleito com folga para a Assembléia Legislativa – e deixou de lado o projeto coletivo de azeitar as condições para que o governador e seus aliados tenham uma eleição mais tranqüila em 2006.

O secretário não tem respondido aos ataques feitos de forma indireta. E também não atende aos pedidos de entrevistas, preferindo silenciar sobre a polêmica.