O pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, criticou hoje o adversário tucano, o ex-governador José Serra, que, ao anunciar ontem sua intenção de entrar nessa disputa, procurou imprimir um enfoque nacional para o pleito municipal de outubro. Em entrevista ao portal Terra, Haddad fez referência à renúncia de Serra ao cargo de prefeito para disputar o governo do Estado em 2006. “O paulistano quer um prefeito para a cidade, que cumpra o seu mandato. O cidadão quer alguém que cuide da cidade”, cutucou. Para o petista, o foco da disputa deve ser a administração da cidade e não o projeto nacional de Serra para 2014. “Há quem diga que ele disputará a eleição de 2014, quer dizer, nem foi realizada a eleição de 2012, já estão pensando na questão nacional”, emendou.

Em 42 minutos de entrevista, Haddad ressaltou que as próprias lideranças do PSDB – como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o presidente nacional do partido, deputado federal Sérgio Guerra (PE), e até o senador presidenciável Aécio Neves (MG) – não descartam a possibilidade de Serra participar da eleição presidencial de 2014. O pré-candidato do PT disse que seu interesse está no futuro da cidade de São Paulo e não no “futuro do País” ou nas “duas visões distintas de Brasil”, como mencionou o tucano em seu discurso ontem (28).”Estamos interessados na cidade e não estamos pensando num segundo passo: o que será de mim daqui a dois anos”, alfinetou.

Na opinião de Haddad, o PT acertou na estratégia de lançar um nome novo em 2012 e que o PSDB “ensaiou” implementar a mesma iniciativa, mas que “se sentiu inseguro e recuou”. O petista citou os governadores Cid Gomes (PSB/CE), Eduardo Campos (PSB/PE), Marcelo Déda (PT/SE), Sérgio Cabral (PMDB/RJ) e até o ex-tucano e prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), como exemplos da nova geração de administradores que renovaram “com a força da boa política”.

Apesar de afirmar que o sentimento geral da população paulistana é de “abandono”, Haddad evitou críticas diretas ao prefeito Gilberto Kassab (PSD) e não quis dar nota à sua administração. “Não gosto de dar nota para administrador público, acho que é a população quem tem de dar”, justificou. No entanto, ao opinar sobre o preço da tarifa de ônibus na cidade (que é de R$ 3,00), o petista disse que o valor é incompatível com o bolso dos usuários e que a qualidade da integração do sistema está aquém das necessidades da cidade. “O prefeito carregou no reajuste”, criticou.

O petista voltou a dizer que se sente aliviado com a opção de Kassab por Serra e o fim do flerte com sua candidatura, mesmo com os elogios do prefeito ao candidato petista. “A militância, de uma maneira geral, estava muito refratária a essa aproximação. Eu também estava me sentindo um pouco desconfortável”, revelou.