Os coordenadores financeiro e jurídico da campanha de reeleição de Beto Richa (PSDB) à prefeitura de Curitiba, Fernando Ghignone e Ivan Bonilha, apresentaram, ontem, um novo vídeo para rebater a denúncia de caixa 2 e compra de apoio na campanha eleitoral do ano passado, com as imagens de coordenadores do Comitê Lealdade distribuindo dinheiro para os candidatos desistentes do PRTB que apoiaram Beto Richa. Com o vídeo, os coordenadores tentam provar que o prefeito está sendo vítima de uma armação.
Na nova gravação, o autor do vídeo divulgado domingo pelo programa Fantástico, da Rede Globo, Rodrigo Oriente, teria contado os motivos pelo qual divulgou o vídeo e quem o pressionou para tomar a iniciativa de tornar público o registro das imagens.
Na filmagem, editada pela equipe da prefeitura, – “a versão original e sem cortes só será apresentada à Justiça”, disse Ghignone -, o autor do vídeo apontou Edson Feltrin, recentemente expulso do PSDB por sua ligação com o governador Roberto Requião (PMDB), como o articulador da denúncia.
Segundo Oriente, Feltrin sabia da existência do vídeo e teria espalhado a informação para a cúpula do governo do Estado, inclusive ao Secretário de Segurança, Luiz Fernando Delazari. Em seguida, segundo o autor do vídeo, o Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce) apreendeu os computadores que continham a gravação.
“Por que o governador ainda não colocou essa imagem na mídia? Porque como foi apreendido de uma forma irregular, o que eles querem que eu faça? Que vá na Procuradoria Regional Eleitoral e faça lá uma denúncia”, diz Oriente na nova filmagem que, segundo Ivan Bonilha foi feita no último dia 5.
Na mesma gravação, Oriente diz que tem sofrido pressão para fazer a denúncia e que, para ele, o objetivo seria atingir Beto Richa. “Para que o Beto não seja candidato a governador e o PSDB escolha outra pessoa, para quem o PMDB já tem candidato a vice em vista”, diz, citando, depois, o nome do senador Alvaro Dias (PSDB, pré-candidato do PSDB ao governo.
Ao tomar conhecimento das declarações de Oriente, o senador Alvaro Dias classificou como “ridícula” a insinuação de que teria interesse no episódio. “É surrealista essa história. Seria negar minha própria experiência política, fazendo gol contra as próprias redes. Como poderia eu desejar o desmoronamento do partido? A insinuação arrancada a ‘fórceps’ do novo analista político (Oriente) é que seria eu interessado, por desejar disputar o governo. Como? Desmoronando o partido? É simplesmente ridículo”, rebateu o senador.
Alvaro disse que não vem ao Paraná desde o encontro nacional do PSDB em Foz do Iguaçu, há duas semanas. “Repudio com veemência a insinuação descabida. Não é o meu modelo. Meu combate é à luz do dia. Não atuo nas sobras e não bato e tiro a mão. A versão, mais do que ridícula, é infeliz. Deveriam buscar solidariedade e não eleger inimigos entre os companheiros de partido”, afirmou Alvaro, sobre a citação de seu nome por Ghignone no vídeo exibido ontem. O secretário de Segurança, por meio de assessoria, informou que irá analisar a transcrição da fita, antes de se manifestar.


