Foto: Theo Marques/SECS

Requião: salário de R$ 24,5 mil.

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Depois da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que elevou o teto salarial dos juízes e desembargadores nos estados para R$ 24,5 mil, os salários de alguns governadores puderam subir bastante, já que seus vencimentos são vinculados à remuneração dos Tribunais de Justiça dos estados. Conforme levantamento do site G1, da Globo.com, dos 27 governadores do País, somente a chefe do Executivo do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), recebe menos (R$ 7.140,70) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os outros 26 governadores recebem salário superior ao de Lula da Silva (PT), que desde 2003 é de R$ 8,9 mil.  

Entre os governadores, o maior salário é do governador do Estado do Paraná, Roberto Requião, cujo salário é de R$ 24,5 mil. Porém, o governador do Tocantins, Marcelo Miranda (PMDB), vem ganhando R$ 28 mil desde 2006, embora seu salário real seja de R$ 22,1 mil. De acordo com o que o site G1 apurou, o governo do Tocantins informou que Miranda está recebendo 24 parcelas de R$ 5.911,14, que serão quitadas em janeiro de 2008, correspondentes à diferença salarial não recebida de janeiro a dezembro de 2005.

A remuneração base de Miranda é correspondente à dos desembargadores do Tribunal de Justiça do Tocantins. Os governadores André Puccinelli (PMDB), do Mato Grosso do Sul, Binho Marques (PT), do Acre, e Marcelo Déda (PT), do Sergipe, recebem proventos semelhantes a de Miranda – R$ 22,1 mil cada um. Um sexto governador também recebe salário acima de R$ 20 mil – Waldez Góes (PDT), do Amapá, ganha R$ 22 mil por mês.

Especialistas em direito constitucional entendem que o aumento para a remuneração dos governadores não é automática. O que ocorre é que a decisão do STF abre brecha para o reajuste. No Paraná, a remuneração do governador, assim como a do vice-governador, que corresponde a 95% do chefe do Executivo estadual, foi aprovada pela Assembléia Legislativa em 15 de dezembro passado.

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Nos estados mais ricos do País os subsídios pagos aos governadores são bem mais modestos. Em São Paulo, José Serra (PSDB) ganha R$ 14,8 mil, no Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB) recebe R$ 12,76 mil e em Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB) tem o salário de R$ 10,5 mil.

No Estado de Pernambuco, a remuneração do governador Eduardo Campos (PSB) é de R$ 9 mil, um valor menor que o do prefeito da capital, Recife. O prefeito de Recife, João Paulo (PT), obteve aumento salarial de 46,35%, mas tem afirmado que só aceitará 20%. Assim, o salário dele será de R$ 12 mil, ao invés dos R$ 10 mil atuais.

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De acordo com o G1, a pensão vitalícia aos ex-governadores é a regra. Somente São Paulo, Amapá, Tocantins e o Distrito Federal nunca pagaram o benefício.

As disparidades entre os salários, contudo, são permitidas pela Constituição. Conforme entrevista do advogado Fábio Kujawski ao G1, a disparidade entre as remunerações de governadores não serve de parâmetro para se considerar inconstitucional o ato normativo de um estado que tenha atribuído ao seu governador vencimento superior àquele pago em outro.

O teto

No ano passado, o presidente Lula comentou o reajuste autoconcedido pelos parlamentares, defendendo a fixação de um teto único para o setor público do País, a fim de acabar com aumentos isolados. O aumento dos deputados federais, que era de 90,7%, não foi bem acolhido pela opinião pública, o que fez com que o então presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo (PCdoB), voltasse atrás, suspendendo o aumento, e deixasse que a atual legislatura decidisse sobre o reajuste do próprio salário.

Na ocasião, o presidente descartou ?pedir? reajuste salarial, apesar de receber menos que os parlamentares. Para o presidente, para ter aumento é preciso aprovação do Congresso. Embora tenha subsídio menor que o dos deputados federais, atualmente de R$ 12,8 mil, o presidente tem benefícios de que não dispõem governadores e parlamentares, como cartão corporativo sem limite de gastos.

Na entrevista concedida ao G1, o professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e especialista em direito constitucional Luís Roberto Barroso explicou que o problema não é o valor do salário de um governador, mas o fato de que o subsídio é o teto da remuneração estadual. Segundo ele, é preciso haver critérios na fixação do salário do chefe do Executivo estadual porque pode acarretar em ?asfixia do serviço público?, já que os salários podem não corresponder à real capacidade financeira do estado. O jurista também defende o teto entre os poderes. Para ele, é a melhor solução, a fim de impedir abusos e demagogia.