Encontro com Lula não alterou a posição
de Requião sobre o assunto.

Em entrevista concedida ao jornalista Carlos Chagas, em Brasília, no programa “Jogo do Poder”, da CNT, logo após o encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, o governador Roberto Requião reafirmou sua decisão de intervir e mudar a política das concessões do pedágio no Paraná. “O pedágio está sangrando a economia do Paraná. Quero que a economia no Estado cresça e temos de favorecer outros agentes econômicos. Não tenho vergonha de ser brasileiro. Os governantes têm de defender o interesse da população. A ação do governo do Estado é em favor do interesse público.”

“O pedágio no Paraná não leva em consideração o fluxo de automóveis, o que é um absurdo. Quero moralizar isso no Estado. As concessionárias eliminaram toda concorrência. Não há controle de preço nem licitação”, disse o governador, contando que as empresas que administram as rodovias pedagiadas no território paranaense eram descapitalizadas. “Elas ganharam as concessões e foram pedir dinheiro ao BNDES. Emprestaram dinheiro de bancos públicos, fazem algumas reformas e atribuem o preço que bem entendem”, argumentou. Requião afirmou que apenas cerca de 25% do que é arrecadado pelas concessionárias é reinvestido.

O governador explicou que o Estado está desapropriando ações das concessionárias, “que na verdade não valem nada porque as empresas não têm dinheiro algum no negócio”. Requião está propondo um pedágio de manutenção no Paraná. “Seria arrecadada uma tarifa estabelecida pelo Estado e o governo criaria um fundo de recuperação das estradas. A obra seria fiscalizada pelo DER e o valor pago por elas seria a média das licitações feitas pelo Estado nos últimos 12 meses.”

Roberto Requião afirmou estar pensando em algumas variáveis para resolver o problema do pedágio no Paraná. “A Assembléia Legislativa já aprovou uma lei de encampação. Estou pensando em decreto de nulidade e na desapropriação das ações. O que não pode é permanecer deste jeito, contratos com ilegalidade”, disse, lembrando que as obras podem ser feitas por terceiros, desde que com licitação.

Transgênicos

O governador reafirmou que recebeu a garantia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, de que o Paraná será área livre de transgênicos. “Trabalho em defesa do Paraná e do Brasil. E optar pela transgenia no Brasil é um grande erro. A soja convencional nos dá 40% a mais de produtividade. A transgênica tem restrições”, disse Requião, frisando que não dá para confrontar com os EUA, que pagam um preço mínimo para os agricultores e o governo de lá assume 40% dos produtos agrícolas. “Temos de pensar no mercado, que nos paga US$ 30 a mais na soja pura. E se optássemos pela transgênica, ainda teríamos de pagar royalties pela semente, que é da Monsanto, e pelo mata-mato utilizado, que também é desta empresa. Não podemos ficar nas mãos de uma multinacional”, argumentou.

Investimentos

Para o governador Roberto Requião, facilitar o investimento estrangeiro não significa “transformar o Brasil em um bordel e prostituir o interesse público em favor de negociatas privadas. O capital estrangeiro é muito bem-vindo quando produtivo. Mas não podemos aceitar que contratos oriundos de um processo de corrupção seja mantido. Meu compromisso é com a população”, afirmou. De acordo com o ministro José Dirceu, as ações de Requião em relação ao pedágio no Paraná não vão atrapalhar as parcerias público-privadas. “Existe uma confiança internacional no Brasil.”

Ministério

Segundo o governador, a participação do PMDB no governo federal hoje é um processo natural. “Mas não me envolvo em indicações. O Lula conhece minha posição. O Paraná tem um coração que vibra pelo Brasil e não gosto dessa mediocridade regionalizada. O presidente do Senado, José Sarney, e o Renan Calheiros é que estão tendo as conversas com o presidente Lula, que é quem decide, e estão discutindo bem.”

Requião afirmou que o apoio a Lula será sempre que o presidente firmar suas posições e que o governo for bem. “Acredito plenamente que este ano as coisas vão mudar.” Sobre uma possível coligação entre o PMDB e o PT, o governador disse que essa seria uma forma de barrar o avanço da “direita” no País. “Coligações são interessantes. Partido algum governa sem coligações. Mas o interesse nacional tem de estar acima até de partidários. O importante é quem conduz o processo”, afirmou, lembrando que aliança oficial não existe.

“O partido tem autonomia em suas instâncias. Cada partido analisará o que ocorre nos municípios e as possibilidades. Em Curitiba, por exemplo, é possível. Mas o PMDB estuda o lançamento de candidatura própria e também a coligação com o PT”, informou.