Governador quer amenizar críticas ao PT

O governador Roberto Requião (PMDB) decidiu frear as críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e recomendou aos peemedebistas que amenizem seus discursos antipetistas. A nova posição do governador é o resultado mais visível da decisão da direção nacional do PT de esvaziar o debate interno sobre candidaturas próprias ao governo nos estados.

Assim que ficou sabendo da reunião da última segunda-feira, dia 2, entre o presidente nacional do PT, José Genoino, e os presidentes estaduais dos partidos, o governador resolveu dar a contrapartida aos petistas. O grupo majoritário local se submete à diretriz nacional de não encorajar o lançamento de um candidato e ele interrompe seu bombardeio quase diário à política econômica do governo Lula.

De acordo com os interlocutores do governador, se o PT nacional demonstrou boa vontade em "segurar" o debate no Estado, então, Requião também pode retribuir em benefício dos dois projetos de reeleição, o do governador paranaense e o do presidente Lula.

O encontro com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, também contribuiu para a nova fase nas relações entre Requião e o PT. Os detalhes da conversa, mantida no último sábado na Granja do Cangüiri, não foram revelados, mas aliados dos dois lados deixaram vazar que Bernardo, um adepto de primeira hora da candidatura própria do PT ao governo, também suavizou seu discurso em que, anteriormente, Requião era tratado como adversário eleitoral.

Modulação

O deputado Rafael Greca, um dos mais inflamados críticos do PT na Assembléia Legislativa, foi um dos primeiros a receber a nova orientação do governador. Greca relatou ontem que Requião pediu para ele "baixar o tom". Outros peemedebistas já modularam seus discursos há algum tempo. O líder do governo na Assembléia Legislativa e presidente estadual do PMDB, Dobrandino da Silva, teve um embate eleitoral com o PT em Foz do Iguaçu, no ano passado, mas já adocicou suas relações com os petistas. Dobrandino disse ontem que todos os deputados estaduais petistas são seus "amigos" e que tem um diálogo muito bom com todos eles, inclusive com o presidente estadual do partido, deputado André Vargas.

Temer continua mais um ano

O governador Roberto Requião (PMDB) manteve uma certa distância da reunião da executiva nacional do PMDB, realizada ontem em Brasília, que prorrogou os mandatos de todos os dirigentes do partido, nacional, estaduais e municipais. Peemedebistas próximos ao governador do Paraná vêem com desconfiança a decisão que mantém o deputado Michel Temer no comando do partido durante o processo eleitoral do próximo ano.

Para os aliados do governador paranaense, a continuação de Temer na presidência do partido traz o risco de se repetir o comportamento peemedebista na eleição de 2002, quando o atual presidente do partido é acusado de ter feito todo o esforço para evitar uma candidatura própria à sucessão presidencial e levou a sigla para o palanque do tucano José Serra.

De acordo com as informações divulgadas pela Agência Estado, foi uma derrota para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os aliados de Lula não tiveram forças para impedir a prorrogação e já se especula que a permanência de Temer significa o fim da possibilidade de o PMDB indicar o candidato a vice-presidente na chapa de Lula. (EC)

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