A reeleição de Beto Richa (PSDB) já no primeiro turno pode até deixar a impressão de que o governador estaria numa situação confortável, com aprovação da maioria dos paranaenses em relação ao seu trabalho, mas essa sensação não corresponde exatamente à realidade. De acordo com especialistas, em seu segundo mandato, Richa vai ter que provar que merece a confiança dos paranaenses. Para eles, alguns dos principais desafios do governador estariam relacionadas à saúde, educação e segurança, áreas que deixaram a desejar em seu primeiro mandato. Mas a continuidade de programas bem-sucedidos, como o Paraná Competitivo, também será imprescindível para que o segundo mandato seja bem avaliado.

Para o cientista político Luiz Domingos Costa, professor do Centro Universitário Uninter, não é porque a vitória veio já no primeiro turno que os paranaenses aprovam a gestão de Richa. “Esse resultado não quer dizer exatamente que o povo paranaense concorda com a administração dele. Numa eleição, o eleitor considera as opções que tem. Neste caso, eram muitas as opções, mas elas eram ruins, pois nenhum dos candidatos da oposição soube trazer pautas e projetos novos e que realmente fossem importantes”, diz Costa.

“Não havia uma plataforma atrativa para o eleitor. Assim, ganhou aquele que teve a melhor campanha, que montou uma boa aliança com mais antecedência e soube mostrar os pontos positivos da gestão anterior. Esta eleição provou que não dá mais para ganhar com pedágio e conta de luz, tem que ter proposta mais elaborada, consistente”, analisa o professor.

O segundo mandato, portanto, serviria para Richa reforçar esses pontos positivos e corrigir os erros. “O primeiro mandato não foi tão bom quanto se esperava. Então, agora, Richa vai ter que consertar o que não deu certo, principalmente na saúde e na educação. Não dá para negar que a educação piorou. É só ver o resultado das pesquisas nacionais. Além disso, o governador não tem um programa forte na área social, com inclusão de jovens da periferia e equalização das desigualdades. Por outro lado, ele foi bem na economia, com o Paraná Competitivo, o que merece continuidade”, comenta.

Por sua vez, o cientista político Ricardo Costa de Oliveira, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), acredita que os principais desafios são outros. “Nesses quatro anos a mais, ele vai poder fortalecer a segurança, consertando alguns erros, além de se recuperar do descontrole das finanças. Também vai poder melhorar a articulação com o governo federal e pensar numa maior expansão da saúde”.