O assessor da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, defendeu hoje a “decisão política” do governo brasileiro de estabelecer uma parceria preferencial com a França na aquisição de caças bombardeiros, submarinos e helicópteros. O assessor afirmou, porém, que não há nenhuma restrição a quaisquer tipos de aviões de outros países e que o Brasil pode negociar também com outros que façam propostas “tão atraentes ou mais atraentes” que as dos franceses, com transferência de tecnologia.
Segundo Garcia, a transferência de tecnologia prevista no acordo com a França foi um ponto fundamental para a opção brasileira, mas fez a ressalva: “Pode haver processo de negociação com os três (França, Estados Unidos e Suécia). No momento em que os EUA, ou os fabricantes do Gripen (suecos), fizerem uma proposta como aquela feita pelos franceses, nós vamos considerar”, disse.
Em relação à nota divulgada pelo governo dos EUA avisando que o Congresso daquele país aprovou a transferência de tecnologia para o Brasil, o assessor de Lula questionou o teor da autorização do Congresso americano. “Transferência de tecnologia é um termo muito geral. Nós queremos saber de transferência efetiva de tecnologia. Em segundo lugar, precisamos saber se nós não vamos sofrer nenhum tipo de restrição, como, por exemplo, sofreu o Super Tucano.” Ele se referia a episódio recente em que os EUA impediram a venda do avião Super Tucano à Venezuela porque o aparelho, fabricado no Brasil, tem componentes de tecnologia norte-americana.
Questionado se esse é o medo do Brasil em relação a uma parceria com os americanos, Garcia respondeu: “É o medo de qualquer país do mundo que se preze. Esse antecedente não é bom, e os diplomatas americanos reconheceram que esse não era um bom antecedente.”
Garcia reiterou que o governo não está fechado à negociação com nenhum país. Ele insistiu que o Brasil tem “boa experiência de parceria com os franceses, que se refletiu nos submarinos e helicópteros adquiridos na França.”
O assessor presidencial qualificou de “efetiva transferência de tecnologia” a reserva de mercado concedida pela França ao Brasil para vender na América Latina e África os helicópteros franceses que serão fabricados no Brasil. “Isso é um antecedente importante”, declarou Garcia.


