O deputado federal Gustavo Fruet (PSDB) confirmou, ontem, o desejo de assumir a presidência do diretório municipal do partido em Curitiba, para viabilizar-se como candidato à prefeitura da capital em 2012.

Mas disse que isso não pode ocorrer por imposição e, muito menos, por disputa, descartando um eventual bate-chapa com o atual presidente municipal do partido, vereador João Cláudio Derosso.

“Como o Beto (Richa -governador) vai presidir o diretório estadual, existe a possibilidade de eu assumir o PSDB de Curitiba, mas sem imposição, isso tem que ser construído com muito diálogo, senão só vai levar a atrito e distanciamento”, disse. “Não tem nem como pensar em disputa. Não faz sentido. Seria desigual. Não tenho nem a lista dos filiados, nunca corri atrás disso, e a convenção já é em março. Além disso, uma parte expressiva dos atuais dirigentes têm cargo no governo ou na prefeitura. Não tenho condições de montar uma chapa contra eles. Não tenho armas para disputar contra a estrutura”, acrescentou.

Fruet negou que tenha ficado insatisfeito com a pasta que lhe foi oferecida pelo governador Beto Richa (Ciência e Tecnologia) e disse que a possibilidade de disputar a prefeitura foi um dos motivos para a recusa ao convite.

“É uma secretaria importantíssima, que merece atenção especial do governo. Mas suas ações são de médio e longo prazo. Se pretendo disputar uma eleição em 2012, teria que deixar a pasta dentro de um ano e três meses. Não faria sentido”, justificou, informando que também recusou outro convite, para ocupar secretaria especial. “Daria a impressão de um arranjo, uma acomodação, não cairia bem. E o Beto também compreendeu”.

Sem mandato, Gustavo reconhece que a decisão de não aceitar cargo pode trazer dificuldades para articulações políticas, mas aposta na participação nas ruas e em movimentos de lideranças “não necessariamente partidárias” para construir sua candidatura.

“Num primeiro momento vai ser ruim, vai desestruturar minha equipe, que é uma perda imensa, mas cheguei numa nova fase. Meus valores na política não são simplesmente ocupar cargo e ter mandato. Não posso pensar mais política da maneira convencional. Não menosprezo a memória do povo e creio que minha posição será compreendida”.

Fruet também assegurou que ouviu de Beto Richa que ainda não há definição quanto às alianças para as eleições municipais e o eventual apoio do PSDB à reeleição do prefeito Luciano Ducci.

“O Beto me disse que não há essa definição neste momento”, disse. “Do jeito que está indo daqui a pouco vai se tentar uma aliança reunindo PSDB, PSB, PP, DEM, PPS e PMDB. Mas e se isso não der certo, vão decidir, em junho de 2012, achar um candidato, Daí não vai dar. Não se constrói mais candidatura só em período eleitoral”.

O deputado também disse que não cogita ser vice de Ducci. “Não acho que seja um cargo menor, mas não passa pela minha cabeça. Já houve essa sondagem e eu disse que não respondo. Não dá para adotar a política da asfixia. É hora do diálogo”.

Sondado por PMDB, PDT e PV, Fruet contou que também não pensa em trocar de partido, mas criticou a postura do PSDB, até nacionalmente. “O PSDB corre o risco de, em 2014, eleger uma bancada ainda menor, pois não vai assumir uma posição de grande liderança da oposição e já começa uma disputa interna entre o Serra e o Aécio. Está na política da inércia, apenas apostando na tragédi,a da Dilma, o que é um erro, por que se a Dilma for mal, o PT tem o Lula”.

“E o mesmo pode acontecer aqui, não podemos esperar 2012 para construir uma candidatura. Tem propaganda partidária neste ano, temos que ter uma posição. O PSDB pode até não ter candidato. Eu posso até não disputar uma eleição, mas não podemos esperar junho de 2012 para isso”, concluiu.