A força-tarefa CC5, cujas investigações resultaram na mega-operação Farol da Colina, deflagrada pela Polícia Federal em sete estados, está centrando seus trabalhos no esquema de doleiros suspeitos de lavagem de dinheiro: “Estamos trabalhando para localizar novas contas no exterior e descobrir para onde os doleiros migraram, porque o esquema continua operando”, explicou ontem, em entrevista coletiva na sede da Procuradoria da República, em Curitiba, o procurador federal Carlos Fernando dos Santos Lima, coordenador da força-tarefa.

Ele e outro integrante da equipe, o procurador Vladimir Aras, informaram que a primeira etapa das investigações encerra hoje e a força-tarefa ganha novo formato para prosseguir seus trabalhos até o final do ano. Sediada em Curitiba, hoje ela é integrada, além da Polícia Federal e da Receita Federal, por três procuradores do Paraná e seis de fora. Vai ficar com três daqui e três de fora, embora as operações de dólar-cabo que estão sendo examinadas nesta fase das apurações demandem um rastreamento ainda mais minucioso do que o das contas CC5, porque conseguem escapar do procedimento bancário comum. Cautelosos quanto aos valores operados pelo esquema, os procuradores citaram algo em torno de US$ 13 milhões, além dos US$ 24 milhões já periciados pela Polícia Federal em relação às contas CC5.

Doleiros na mira

A esperança dos procuradores é, por meio dos arquivos de doleiros, principais operadores do esquema, chegar aos destinatários dos recursos que deixaram ilegalmente o país. Na avaliação de Santos Lima e Aras, a perícia dos documentos e de todo o material apreendido pela Operação Farol da Colina vai levar cerca de dois meses.

Ainda assim, a força-tarefa vai requerer a prorrogação da prisão das 64 pessoas detidas pela Polícia Federal na última terça-feira por mais cinco dias. Com o objetivo de agilizar os trabalhos, requereu ontem aos juízes Sérgio Fernando Moro e Bianca Cruz Arenhart, da 2.ª Vara da Justiça Federal de Curitiba, a declinação de competência para que o caso passe a ser investigado tembém pelos MPs dos estados de origem: “Na medida em que a relação com o Banestado vai se esgarçando, é importante que se estabeleça essa cooperação”, observou Santos Lima, destacando que a força-tarefa avançou bastante em suas investigações, principalmente por conta das provas documentais obtidas nos Estados Unidos, com a colaboração das Polícias e Ministério Público daquele país.

Balanço

Segundo os procuradores, dos 123 pedidos de prisão expedidos para a Operação Farol da Colina, 64 foram executados, bem como a grande maioria dos 215 mandados de busca e apreensão de material e documentos. A finalidade das prisões, segundo Aras, é identificar as pessoas envolvidas – doleiros, beneficiários de contas, seus representantes legais e até “laranjas” – na remessa ilegal de recursos para paraísos fiscais e evitar que elas atrapalhem a busca de provas. Algumas dessas pessoas não foram encontradas porque ou estão foragidas ou não residem no Brasil. Não havia mandado de prisão expedido para o Paraná.

Nesta nova linha de investigação, baseada principalmente em material recolhido no banco americano Beacon Hill Service Corporation, não foi detectada nenhuma nova conta do doleiro Alberto Youssef, que já está preso e condenado por várias operações irregulares através das contas CC5 do Banestado. Embora admitam que é dificil chegar a todos os beneficiários da lavagem de dinheiro, os procuradores acreditam que é possível, através de um levantamento minucioso do material disponível, identificar a grande maioria. Também destacaram que a força-tarefa atua em perfeita harmonia com a CPMI do Banestado, cujo apoio é fundamental para o bom desenvolvimento das investigações: “Se a CPMI enfraquecer, pode representar prejuízo para as investigações”, ponderou Santos Lima.