Agência Brasil
Ex-presidentes Lula e FHC, quando o petista conquistou seu primeiro mandato e foi conhecer o Palácio do Planalto.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) afirmou nesta segunda-feira (18) que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está sendo “malicioso” ao tentar colar a imagem da sigla tucana à das elites do País.

“O Lula, que era contra a privatização, agora está em Londres falando para a Telefónica e ganhando US$ 100 mil. O filho dele é sócio de uma empresa de telefonia. Eles aderiram totalmente às transformações que nós provocamos e ainda vêm nos criticar dizendo que estamos a favor da elite contra o povo enquanto eles estão mamando na elite. Cabe isso?”, questionou FHC em entrevista ao programa “Começando o Dia”, do jornalista Alexandre Machado, que estreou nesta segunda-feira (18) na Rádio Cultura FM.

As declarações de FHC foram feitas após o petista comentar artigo do ex-presidente tucano na revista “Interesse Nacional”, em que defendeu que o PSDB deve deixar de lado o “povão” e buscar diálogo com a nova classe média. “Não sei como alguém que estudou tanto depois diz que quer esquecer do povão”, ironizou Lula.

Para FHC, as declarações de Lula são “maliciosas”. O tucano afirmou que o PT utiliza as políticas sociais “de maneira demagógica” e que a tentativa de ligar o PSDB às elites tem razão político-ideológica. FHC disse ainda que foi nos seus dois mandatos como presidente que foram iniciados os programas sociais ampliados com a marca do governo Lula.

“Me elegi duas vezes presidente, fiz políticas sociais e quem começou todos esses programas de bolsas foi o meu governo”, afirmou o tucano, que aceitaria uma nova disputa com Lula nas urnas. “Ele (Lula) esquece-se de que eu o derrotei duas vezes. Quem sabe ele queira uma terceira. Eu topo”, afirmou FHC. “Se ele (Lula) quiser discutir comigo, eu estou aberto.”

Segundo FHC, o que ele defende em seu artigo é que “o PSDB caminhe falando com a população para ver quais são seus novos anseios numa sociedade que é muito mobilizada”. “Não tem nada com a direita, e sim com os interesses novos da população”, afirmou. De acordo com o tucano, o PSDB deve fugir dessa “intriguinha” e discutir os problemas do povo.

Senadores ironizam

Os senadores petistas Humberto Costa (PE) e Jorge Viana (AC) ironizaram nesta segunda-feira o desafio lançado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de disputarem uma nova eleição. “Acho que ele fez uma declaração infeliz e está tentando se remendar em cima de críticas ao ex-presidente Lula”, disse o senador pernambucano, que na tarde de hoje se reúne com Lula para discutir a reforma política.

Na semana passada, FHC publicou artigo na revista “Interesse Nacional” em que defendeu que o PSDB deve deixar de lado o “povão” para buscar diálogo com a nova classe média. Em Londres, na quinta-feira, após palestra a investidores da Telefónica, Lula ironizou o texto: “Não sei como alguém que estudou tanto depois diz que quer esquecer do povão.”

Na capital paulista para encontro com Lula no Instituto Cidadania, na zona sul da cidade, os senadores petistas disseram que os comentários de Fernando Henrique se devem à observação de Lula sobre o elitismo do PSDB. “O presidente Fernando Henrique Cardoso fez uma declaração que, de alguma maneira, expressa a verdade: o PSDB e outros partidos fizeram uma opção, desde sua criação, que é a de lidar com a elite brasileira. E o presidente Lula sempre fez uma opção que é estar ao lado do povo e ajudar a construir um novo Brasil”, afirmou Viana.

Para o senador do Acre, as declarações de Lula em Londres incomodaram o “sociólogo Fernando Henrique Cardoso”. Segundo Viana, ao fazer um governo com o olhar voltado para os mais pobres, Lula se tornou uma referência mundial. “Lula hoje é um personagem do mundo, o mundo todo quer ouvir e aprender com Lula”, afirmou. “Isto é um mérito, uma coisa que deve orgulhar todos os brasileiros, inclusive o sociólogo Fernando Henrique Cardoso.”

Já Humberto Costa disse que Lula não tem a intenção de voltar a disputar nenhuma eleição, principalmente contra Fernando Henrique. “Acho que não teria nem graça fazer essa eleição. Fernando Henrique é passado, Lula é uma coisa extremamente presente”, afirmou.