Votou no petista Fernando Haddad para a Presidência da República, quase foi vice-prefeito de Recife em chapa com o PT, votaria contra o impeachment de Dilma Rousseff se fosse deputado à época – e agora está torcendo para que o presidente Jair Bolsonaro acerte a mão. “É ele que está pilotando o avião, os brasileiros são os passageiros, e é importante que o voo termine bem”, diz o deputado federal estreante Sílvio Costa Filho (PRB-PE), vice-presidente da Comissão Especial da reforma da Previdência.

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No quinto mandato parlamentar aos 37 anos – antes, dois anos como vereador no Recife e três vezes deputado estadual -, Sílvio Serafim é filho de um conhecido personagem do Congresso, o tonitruante ex-deputado federal Sílvio Costa, não reeleito, notabilizado pela disposição com que se bateu contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

São tão diferentes na estampa e no estilo – um é barrigudo, o outro esguio; um é desbocado, o outro ameno – que o filho já se acostumou com as troças de parlamentares que conhecem o parentesco. “Trocaram você na maternidade” é uma delas. “Meu pai ganhou o respeito da Câmara”, diz. “Aprendi e ainda aprendo com ele.” O curioso da história é o destino ter unido Sílvio Costa e Dilma Rousseff no mesmo fiasco na eleição do ano passado para senador, ela pelo PT, em Minas, ele pelo Avante, em Pernambuco.

“Divirjo do Bolsonaro em alguns pontos – armas e pauta homofóbica, por exemplo -, mas tenho tentado ajudar o governo, que tem uma das melhores equipes econômicas dos últimos 20 anos”, afirmou o deputado na terça-feira passada (2), durante café da manhã no apartamento funcional de 180 metros quadrados em que mora em uma quadra da Asa Sul, em Brasília.

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É o mesmo em que morava Sílvio Costa pai – saiu um, entrou o outro. “Me sinto mais confortável aqui do que recebendo os R$ 5 mil do auxílio-moradia”, disse, comparando as mordomias. Não seria melhor que cada parlamentar pagasse o seu teto, como os mortais comuns? “Não sou de fazer demagogia”, respondeu o também vice-líder do PRB.

Com 31 deputados – sexta bancada -, é um dos partidos que compõem o Centrão, a força predominante na Câmara de Rodrigo Maia (DEM-RJ). “Prefiro dizer Centro, porque Centrão tem um sentido pejorativo”, afirmou o parlamentar, entre uma e outra mordida na tapioca quentinha da cozinheira Rose, também herdada do pai, assim como o motorista André, de seu reluzente Azera 2010.

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“É sobretudo pelo centro que as reformas serão aprovadas no País”, perorou na mesa de dez lugares da sala de jantar. “No futuro haverá o reconhecimento, por parte da sociedade, de que o centro foi imperativo para ajudar o Brasil nos momentos de dificuldade.”

Informou, quanto à má fama do Centrão, que não tem nenhum indicado em qualquer escalão do governo. “Eu penso nas próximas gerações, e não nas próximas eleições”, trocadilhou, em bordão que costuma usar nas muitas entrevistas que tem dado, especialmente para as rádios pernambucanas.

Ajustou, também, a má fama do Partido Republicano Brasileiro como um aparelho da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). “Não é mais assim”, disse. “A maioria dos deputados federais não é evangélica – como eu também não sou.” Declarou-se “cristão”. Vai pontualmente a uma igreja católica, mas pode ir a uma evangélica, se necessário for. “Acredito em Deus”, resumiu.

Naquela manhã de acepipes na mesa, o pai de Silvio Neto, de 8 anos, e de Luiza, 6, com a designer de joias Cris Lemos – todos passando uns dias por lá -, acordou às 6h30, leu os jornais na internet, trocou telefonemas e mensagens, tudo girando em torno das tumultuadas discussões da reforma da Previdência.

Parte do trio que dirige os trabalhos – com Marcelo Ramos (PL-AM), na presidência, e Samuel Moreira (PSDB-SP) como relator -, Sílvio Costa Filho tem se destacado principalmente nas conversas de bastidores. Com seis meses de mandato, já foi indicado, pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar, o Diap, como um dos 100 parlamentares mais influentes no Congresso. “Eu penso nas próximas gerações…”, lá vem ele de novo, com o sorriso de plantão.

Pedagogo

Sílvio Costa, pai, professor de química antes de virar político, é dono, com os filhos, de uma das maiores empresas de educação de Pernambuco – o colégio Decisão, com quatro unidades e cerca de 1.800 alunos pagando mensalidade. Foi lá que o pedagogo Sílvio Serafim começou a trabalhar, no setor administrativo, antes de virar o mais jovem vereador do Recife, pelo PMN, em 2004, com 22 anos. Com 24, estava no primeiro de três mandatos de deputado estadual.

Foi vice-líder e secretário de Turismo do governador Eduardo Campos – morto em um desastre de avião em 2014. Neste último posto, em 2009, foi acusado de envolvimento em superfaturamento de cachês e desvio de verbas de emendas parlamentares destinadas ao pagamento de eventos. Negou as acusações, renunciou ao cargo e voltou à Assembleia Legislativa.

“O Tribunal de Contas do Estado reconheceu a lisura da minha gestão”, disse. Continuam tramitando na Justiça duas ações por improbidade administrativa. Em uma delas o deputado entrou com recurso extraordinário, no Supremo Tribunal Federal, questionando o foro competente. Em outubro do ano passado o ministro Ricardo Lewandovski não acatou o recurso. “Confio que a Justiça vai comprovar minha inocência”, afirmou.

Nas quatro vezes em que esteve com o presidente Jair Bolsonaro, na companhia de outros deputados, o vice-líder do PRB o viu como “uma pessoa simples, bem-intencionada, mas sem compreender ainda o seu tamanho institucional”. O PRB “está unido com o governo no apoio à agenda do desenvolvimento”, disse. “Bolsonaro ainda está aprendendo a ser presidente, e precisa melhorar na relação com o Congresso e as instituições, o que acredito que fará.” Sobre a turbulência que atinge o ministro da Justiça, Sérgio Moro, disse achar “graves” os diálogos a ele atribuídos pelo site The Intercept Brasil. Nas contas do vice-presidente da comissão especial, a reforma da Previdência será aprovada, no plenário, por “entre 325 e 335 votos”.

Ali por 9 horas, Sílvio Neto e Luiza acordam, de pijamas, e vão para a sala abelhudar o pai. Ele os abraça, faz festa, explica que está dando uma entrevista, e logo os despacha, de boa. “Às vezes, eu foco demais no trabalho”, disse, depois, já a caminho da casa institucional de Rodrigo Maia, para mais uma reunião de articulação dos conchavos. Mesmo no começo do mandato, Sílvio Costa Filho não faz mistério sobre suas pretensões políticas: quer disputar o governo de Pernambuco em 2022. “Terei 40 anos, e a experiência de cinco mandatos”, disse. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.